Brasília, 24 (AE) - Do lado da bancada ruralista, a articulação começa às 10 horas na Comissão de Agricultura da Câmara. Ela deverá fazer uma avaliação do potencial de pressão e da capacidade de negociação do governo. Segundo os líderes do movimento, estão chegando hoje a Brasília mais 100 caminhões e cinco mil produtores para ajudar na pressão sobre o Congresso. Na avaliação de uma parte dos líderes ruralistas, só a votação do projeto poderá esvaziar o movimento. Outra ala, no entanto, está apreensiva com a possibilidade de os produtores rurais se juntarem à Marcha dos Cem Mil, que chega a Brasília na quinta-feira. "Se as negociações não avançarem, o desgaste e a responsabilidade serão do governo", adverte o coordenador da bancada ruralista, deputado Augusto Nardes (PPB-RS). A última reunião do dia deve acontecer às 17 horas no gabinete do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Os líderes de todos os partidos com representação na Câmara negociam com os integrantes da Comissão de Agricultura uma solução para o impasse. O desfecho desse embate ainda é imprevisível. O governo não quer que o projeto seja votado na Câmara para não enviar um sinal de fragilidade ao mercado. Por outro lado, a aprovação pode ser o melhor caminho, já que há poucas chances de ser aprovado no Senado como está. Os produtores rurais ganham, mas não levam, de acordo com a previsão do governo, e os caminhões e tratores deixam a Esplanada dos Ministérios para a Marcha dos Cem Mil passar.

mockup