Ruralistas aprovam mudanças na reforma agrária
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domingo, 21 de março de 1999
Por Sandra Sato e Sônia Cristina Silva 
Brasília, 22 (AE) - A bancada ruralista no Congresso está aplaudindo as mudanças na reforma agrária anunciadas pelo ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann. "Acaba a divisão: agricultor de primeira e agricultor de segunda categoria", afirma o deputado Luciano Pizzatto (PFL/PR). Entre os agricultores de primeira estão os assentados, segundo definição de Pizzatto, por causa do subsídio do governo para que eles produzam depois de receber as terras. Os agricultores de segunda, para o deputado, são os pequenos agricultores.
Com o abandono da política assistencialista e reforço da agricultura familiar, como planeja o governo no programo Novo Mundo Rural, beneficiando igualmente assentados e pequenos agricultores, Pizzatto prevê ainda uma mudança no perfil dos candidatos à reforma agrária. Os "aventureiros" perderão o interesse no programa, que deverá ser procurado basicamente por aqueles que têm vocação agrícola.
Para o deputado Hugo Biehl (PPB/SC), outro integrante da bancada ruralista, o novo programa de reforma agrária "vai parar de mandar peixe e, finalmente, entregar o caniço para o assentado pescar". "O governo se deu conta que colocar favelados no meio do mato e mandar cesta básica custaria muito caro", afirmou. "A sociedade não suportaria, porque os sem-terra aumentam a cada ano." Segundo ele, não basta ter terra para sobreviver, é necessário uma política de renda. O Banco da Terra, na opinião dele, é uma boa alternativa para os agricultores.
O deputado paulista Nelson Marchezelli (SP) considera como "ovo de Colombo" o governo ter proposto a descentralização da reforma agrária. "Está muito certo, porque cada Estado tem uma configuração diferente", alegou o parlamentar. Marchezelli também elogiou a disposição de dar ao assentado condições de emancipação e de sustento.


