Ruralistas ameaçam acampar ao lado de sem-terra
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sexta-feira, 05 de dezembro de 2003
Agência Estado 
Porto Alegre - Os produtores rurais prometem montar um acampamento de três mil pessoas misturado ao dos 400 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que se instalaram na quarta-feira, em um terreno de 3.600 hectares, no distrito de Vacacaí, em São Gabriel, fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Antes da data estabelecida para o encontro, a próxima quinta-feira, esperam que os sem-terra saiam do local, forçados por decisões das ações que já começaram a tramitar na Justiça.
A decisão de recorrer ao Judiciário e ao mesmo tempo programar uma grande manifestação que pode resultar em confronto foi tomada ontem, em assembléia que reuniu 800 ruralistas de todo o Estado na sede da Associação Rural da São Gabriel. A reunião teve um clima de revolta por causa da atitude da Brigada Militar (a PM gaúcha) que, na quarta-feira, desfez um bloqueio dos ruralistas à passagem dos sem-terra na RS-630, em Santa Clara.
A polícia conduziu os militantes do MST a uma área cedida ao movimento pelo simpatizante José Gilberto Leal, que comprou o terreno de dois herdeiros do espólio da família Bérgamo, Milton Jorge e Cledi. Este negócio passou a ser o centro da discussão judicial, por ter sido feito sem a anuência dos outros dez irmãos, que também aguardam a divisão das terras, que têm 28 mil hectares no total.
A primeira ação foi encaminhada ao Fórum de São Gabriel pelos herdeiros Eva e Dari Bérgamo, que alegam que deveriam exercer a preferência de compra e não foram ouvidos pelos irmãos vendedores que acabaram beneficiando o MST. A expectativa dos ruralistas é que o juiz Cristiano Flores, da 1 Vara Cível, conceda a liminar que pede a anulação da transação feita por Milton Jorge e Cledi.


