Ruralista volta à prisão após coagir testemunhas
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quarta-feira, 02 de dezembro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Cascavel A quinze dias de ser julgado pelo homicídio de um policial federal, em abril de 2012, o ruralista Alessandro Meghenel, retornou para a prisão na manhã de ontem em Cascavel. Ele, que cumpria prisão domiciliar há quase seis meses, teve a detenção pedida pelo Ministério Público pela acusação de coagir testemunhas.
O mandado de prisão, expedido pela 2ª Vara Criminal do Tribunal do Juri de Curitiba, foi cumprido nas primeiras horas da manhã na casa de Meneghel, no Bairro Country, pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Cascavel, com apoio de policiais civis da Delegacia de Homicídios. Meneghel estava dormindo e saiu algemado em um camburão. Sem falar com a imprensa, ele apenas negou a acusação de coação de testemunhas.
O promotor Eduardo Labruna Dahia, informou que pediu a prisão de Meneghel para garantir a "conveniência da instrução cautelar". "Nos chegaram informações, que foram devidamente comprovadas, de que ele estava tentando coagir testemunhas. Neste caso, surge uma nova hipótese de prisão cautelar", afirmou. Dahia lembrou que o Ministério Público já havia solicitado o desaforamento do processo de Cascavel para Curitiba pelo risco das testemunhas e jurados sofrerem coação.
O julgamento dele está marcado para os próximos dias 16, 17 e 18, no Tribunal do Júri em Curitiba. "Acredito que a Justiça não vá conceder novamente o benefício de soltura até lá, pois já foi dado um voto de confiança, para que ele cumprisse a prisão em casa, mas esse voto foi quebrado", comentou Dahia. Depois de três anos preso, o ruralista ganhou o direito a prisão domiciliar, por meio de tornozeleira eletrônica, em julho deste ano. O desembargador Antonio Loyola Vieira deferiu o pedido da defesa de que o réu precisava cuidar da mãe doente.
Meneghel foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) para ser submetido ao exame padrão de corpo de delito e, em seguida, foi encaminhado à Penitenciária Estadual de Cascavel (PEC). A reportagem entrou em contato ontem com o advogado de Meneghel, Cláudio Dalledone Júnior, porém ele informou que só se manifestaria sobre o caso no dia seguinte.
No dia 14 de abril de 2012, o policial federal Alexandre Drummond Barbosa foi morto com vários tiros após uma discussão em uma casa noturna de Cascavel. Segundo a promotoria, após a briga, Meneghel entrou em sua caminhonete, voltou com uma espingarda calibre 12 e matou o policial, que caiu no chão e sacou o revólver para se defender. Ainda segundo a acusação, Meneghel continuou atirando com uma pistola. Em seguida, o acusado fugiu em uma caminhonete, retornando à cena do crime para se certificar se o policial estava morto. A defesa alega que Meneghel agiu por legítima defesa.


