Ruralista quer processar Arns por apoiar marcha
Agência Estado
SAO PAULO - O presidente do Sindicato Nacional de Produtores Rurais (Sinapro), Narciso Rocha Clara, disse que vai processar o cardeal arcebispo de Sao Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, e os bispos e padres que assinaram documento de apoio à marcha dos sem-terra a Brasília. O pedido de inquérito será encaminhado até terça-feira ao Ministério Público, acusando os religiosos de praticarem apologia ao crime, e pedindo a co-responsabilizaçao deles no caso dos oito sem-terra feridos no Pontal do Paranapanema.
‘‘Eles estao incitando e insuflando as invasoes’’, afirmou Rocha. O dirigente do Sinapro, fundado em 1995 no Rio Grande do Sul e com escritório de representaçao em Sao Paulo, contratou uma empresa de assessoria para preparar material de imprensa que vai levar para sustentar o pedido de inquérito. ‘‘Temos duas horas e meia de fitas de vídeo e quatro horas de gravaçoes em rádio, mais o que foi publicado nos jornais’’, declarou. No início da semana, Rocha anunciou que iria a Brasília para encontros com o presidente do Instituto Nacional de Colonizaçao e Reforma Agrária (Incra), Nestor Fetter, e com o general Alberto Cardoso, chefe da casa militar do Planalto.
Rocha queria propor uma intervençao militar no Pontal. ‘‘As audiências foram adiadas diante da gravidade do que ocorreu no Pontal’’, explicou o presidente do Sinapro, justificando a nao-realizaçao dos encontros. No Incra, entretanto, a assessoria de Fetter negou que o encontro estivesse agendado com representantes do Sinapro. Rocha tentou também um contato com a Secretaria de Segurança Pública paulista, por meio do secretário-adjunto Luiz Antônio Alvez de Souza, que esteve no Pontal depois do tiroteio. Nao foi recebido. ‘‘Ele nao tem representatividade’’, argumentou o secretário-adjunto.

mockup