Ruralista nega denúncia, mas afirma que noroeste do Estado vive "clima de guerrilha"
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 19 (AE) - A advogada e ruralista curitibana Dionéia Fróes Dresch negou hoje ter denunciado que fazendeiros do Paraná estariam cercando as propriedades com minas terrestres
conforme alguns jornais divulgaram. Admitiu, porém, que o noroeste do Estado vive há meses "um clima de guerrilha", em razão das ameaças e invasões de propriedades rurais pelos sem-terra. Segundo ela, os fazendeiros têm tentado se defender. "As pessoas buscam defesa, mas a dimensão disso ninguém conhece", afirmou.
Hoje à tarde, a advogada seria ouvida na Polícia Federal no inquérito instaurado para apurar as denúncias. A PF promete reforçar a fiscalização para saber se há minas terrestres entrando clandestinamente no País. De acordo com a advogada, a proximidade com o Paraguai pode levar alguns fazendeiros a procurarem "comprar coisas mais pesadas". Até hoje, a PF nunca detectou esse tipo de artefato entre os armamentos contrabandeados.
"Eu não posso fazer nenhuma denúncia, mesmo porque somos fazendeiros", disse Dionéia. "Mas quem pode saber se já não montaram alguma?" Ela disse que seu interesse é chamar a atenção "para que se restaure a paz, para podermos trabalhar". "Nós não somos acostumados a viver em conflito", afirmou. Dionéia disse ter medo de que possa haver excessos. "Se eu disse que pode haver minas terrestres é porque eu amo a terra", declarou. "O que eu peço é que as autoridades tomem alguma atitude". UDR - O coordenador da União Democrática Ruralista (UDR) do noroeste do Paraná, Marcos Prochet, disse ter "total desconhecimento" da existência de minas terrestres para defender propriedades rurais. "A gente nem imagina como funciona uma arma dessas nem como se consegue", afirmou.
Prochet argumentou ainda que se as propriedades tivessem minas, "acho que não teriam ocorrido 12 invasões depois que o governo anunciou que faria 11 reintegrações de posse". "O problema é que os sem-terra não jogam papo-furado como o governo faz; eles simplesmente invadem".
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Petrus Abib, disse que a notícia o surpreendeu. "Não acredito que exista insanidade por parte dos ruralistas", afirmou. Segundo ele, a informação tem apenas "efeito de terrorismo noticioso". "É uma forma de querer inibir invasões, alertando para o perigo que existe na região", disse.


