Liderança rural contestou a existência de uma suposta lista com nomes de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marcados para morrer na região noroeste do Estado. A existência da lista foi divulgada anteontem pelo secretário de Estado do Emprego, Trabalho e Promoção Social e presidente da Comissão Especial de Mediação de Questões da Terra, Padre Roque Zimmermann, e pela coordenação estadual do MST. ''É um absurdo, as pessoas querem é por lenha na fogueira. Se a lista existe de fato, vamos ver. Cabe à Secretaria de Segurança Pública averiguar a verdade dos fatos'', afirmou Edson Neme Ruiz, presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP).
Neme contestou ainda o funcionamento do Primeiro Comando Rural (PCR), criado em março na região noroeste por fazendeiros que pretendiam contratar seguranças armados para defender suas terras. ''Isso não existe, a informação que eu tenho é que não há fazendeiros fazendo isso. Se houve algum caso esporádico não dá para estender isso para toda a classe'', disse.
Dos sete integrantes da lista divulgada à imprensa, um deles já teria sido executado o trabalhador rural Francisco Nascimento de Souza, de 27 anos, morador do assentamento Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama), que foi morto com oito tiros, de uma pistola 9 milímetros e um revólver calibre 38, na última segunda-feira. Ontem, em um documento protocolado na Secretaria de Segurança Pública, o MST acrescentou mais um nome à lista, de José Damasceno, que é da coordenação estadual do movimento. ''Como ele não é da região, não divulgamos antes'', justificou Edson Bagnara, também da coordenação estadual do MST.
Damasceno reiterou a existência da lista, informando que a execução de cada nome valeria recompensas de R$ 8 mil a R$ 10 mil. ''A lista existe e entre os nomes estava o do Francisco'', disse. Segundo ele, a lista teria sido feita no dia 21 de abril durante uma reunião de fazendeiros em Campo Mourão, e a informação teria sido repassada ''por uma pessoa amiga do MST''.
A Secretaria de Segurança Pública designou o Centro de Operações Especiais (COP) para investigar o caso. A Folha novamente procurou lideranças ruralistas envolvidas na formação do PCR, mas eles continuavam viajando.

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