Ruralista denuncia minas em fazendas
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quinta-feira, 18 de março de 1999
Alexandre Sanches 
A advogada e ruralista Dionéia Fróes Dresch denunciou esta semana ao comando do Exército em Curitiba, que ruralistas da região Noroeste do Paraná estão se armando e colocando minas terrestres em suas propriedades, para evitar que grupos de sem-terra ocupem seus imóveis. Sem citar nomes ou propriedades, ela disse ontem que está preocupada com o conflito agrário na região, diante da passividade do governo do Estado em não cumprir as reintegrações de posse das fazendas já invadidas.
Estamos vivendo em meio a uma guerrilha, onde os proprietários rurais, para defender suas terras, estão sendo obrigados a se armar. A região é de fronteira, área de segurança nacional. Por isso comuniquei ao Exército, salientou. Ela afirmou que há uma guerrilha organizada, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Dionéia afirmou que as minas terrestres são compradas facilmente no Paraguai, como outros armamentos utilizados, tanto pelos fazendeiros, quanto pelos sem-terra. Esta é uma luta pela defesa do patrimônio. Quem deveria fazer a segurança da propriedade, que é o Estado, fica assistindo a tudo sem tomar qualquer providência, acusou.
Para ela, está havendo um excesso de ambos os lados. De um, a invasão de propriedades produtivas. De outro, os proprietários rurais indo ao Paraguai para comprar minas e metralhadoras. Não existe fiscalização nas nossas estradas. Os municípios e fazendas são cortados por pequenas estradas, chegando facilmente ao Paraguai, o que facilita o contrabando, explicou.
Ela acusa o governo do Estado de não ter tomado nenhuma providência, ainda no ano passado, por questões eleitorais. Segundo Dionéia, o governador Jaime Lerner, para não arranhar a sua imagem durante as eleições, foi adiando as reintegrações de posse já concedidas. Agora ele anuncia o despejo em algumas áreas. Não terá força para fazer este trabalho, pois são muitas famílias espalhadas pela região.
A saída para o problema, de acordo com Dionéia Dresch, é a municipalização da reforma agrária, por um colegiado que rastrearia os sem-terra e diria quem é agricultor ou tem ligação com a terra. Temos casos no Noroeste onde os assentados estão arrendando a terra para outros, e o Incra acredita que eles estão plantando. Boa parte dos sem-terra são bandidos, orientados por líderes que ninguém sabe do que sobrevivem, porque eles não trabalham, acusou.
A advogada enfatizou ainda que o clima de violência vai acabar em mortes, pois em breve haverá confronto de forças entre os ruralistas e os sem-terra. Dionéia disse que, na conversa com o Exército, um oficial a informou que não poderia fazer nada a respeito, a não ser por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela anunciou ainda que nos próximos dias os ruralistas devem realizar um protesto em Brasília (DF), onde irão enterrar a Constituição Federal por falta de cumprimento da lei pelo governo.
O presidente estadual da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, declarou desconhecer que ruralistas do Noroeste estejam colocando minas terrestres em suas propriedades. Porém, reconheceu que os dois lados estão armados. Os ruralistas com seus revólveres e espingardas legalizadas para a sua proteção, e os sem-terra fortemente armados. Já fui refém dos sem-terra quando entraram na minha propriedade e fique na mira de três armas, comentou. Ele garante que as armas dos ruralistas são para defesa pessoal, negando a contratação de pistoleiros ou seguranças particulares. Ninguém aguenta manter uma segurança particular por tanto tempo, salientou.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, foi procurado por telefone em Curitiba, mas um assessor informou que ele estava em reunião e não queria ser interrompido.


