Rumo à paz, Israel abre a estrada que liga territórios palestinos
Ponto de cruzamento Erez, Faixa de Gaza, 25 (AE-AP) - Com malas empilhadas em cima do carro, o táxi de Ali Mohammed estava entre os primeiros a sair de um cruzamento militar israelense e atravessar a estrada segura - uma passagem para palestinos ligando Gaza à Cisjordânia, cuja abertura marcou mais uma etapa em direção à paz no Oriente Médio.
"Cuidado com estes passes de viagem, eles são nossos tíquetes para a liberdade", Mohammed alertou os seis passageiros do táxi, muitos dos quais nunca tinham saído de Gaza antes.
A passagem segura torna mais palpável a criação do tão desejado Estado palestino, ligando duas áreas autônomas palestinas separadas pelo território de Israel. A abertura intensificou o apoio palestino ao processo de paz e forneceu oportunidade para os residentes da superpovoada Faixa de Gaza procurarem empregos na mais próspera Cisjordânia.
Hoje, centenas de viajantes com sacolas de viagem e malas, alinharam-se no cruzamento de Erez, muitos deles sorrindo antecipadamente. Alguns entraram em ônibus enquanto outros dirigiram-se para uma fila de táxis que gritavam, "25 shekels (seis dólares) para Tarkumiya", o ponto final do estrada na Cisjordânia.
Para o passageiro do táxi Sami Ahmed, de 19 anos, da Cidade de Gaza, esta seria a primeira viagem para fora de Gaza. Da janela, ele observava atentamente as paisagens israelenses que passavam; fazendas coletivas, florestas de pinhos e um jipe militar ocasional policiando a estrada. Apontando para algumas ruínas , ele perguntou a Saber Abu Lehieh
outro passageiro de 70 anos: "O que é aquilo?" Abu Lehieh, que conhecia a área já antes da criação do Estado de Israel, em 1948, disse que Ahmed estava vendo o que restara de Beit Jibrin, um vilarejo árabe destruído da guerra de 1948.
Com música árabe tocando no rádio de seu táxi, Mohammed, o motorista, estava ocupado fazendo ligações de seu telefone celular para informar amigos de que a passagem segura estava aberta.
Abu Lehieh disse que não saía de Gaza desde a assinatura do primeiro acordo de paz árabe-israelense, em 1993. Nos últimos seis anos, Israel impôs mais e mais restrições às viagens de palestinos, incluindo bloqueios de segurança, alegando querer impedir que militantes islâmicos executassem ataques terroristas no país, acabando com o acordo de paz.
"O acordo de paz foi assinado, e as portas de Erez (ponto de cruzamento)continuaram fechadas", lembrou-se Lehieh. Mas hoje ele estava radiante. "Passo a passo, estamos nos aproximando da paz", disse. Depois de meia hora, o taxi já havia completado a viagem de 47 quilômtros de Erez a Tarkumiya. Israel permite que a viagem seja feita em até duas horas, o tempo de viagem de cada viajante é checado.
Aqueles que se atrasarem, vão ser interrogados por forças de segurança de Israel. Hoje, apesar disso, o clima estava bom, com alguns oficiais israelenses apertando as mãos de alguns viajantes.
Shadi Abu Arab, de 20 anos, um residente desempregado de Gaza, que chegou de ônibus na Cisjordânia, disse que foi mandado para a cidade de Tulkarem para procurar emprego. "Todas as portas fecharam-se para mim em Gaza, e eu estava ansioso para que essa porta, a passagem segura, fosse aberta", disse Abu Arab, com sorriso largo estampado.
No total, 132.000 palestinos estão qualificados para usar a passagem - 130.000 trabalhadores e empresários já tinham permissão para entrar em Israel no passado, e 2.000 conseguiram passes nos últimos dias. No passado, aqueles que tinham permissão podiam ir para Israel mas não para outro território palestino.
Outras permissões para a passagem segura devem ser emitidas nos próximos dias. Segundo funcionários israelenses, espera-se que cerca de 1000 pessoas utilizem a estrada diariamente. A passagem estará aberta das 7 da manhã às 5 da tarde.
Os palestinos considerados como um risco para a segurança de Israel, poderão usar a estrada duas vezes por dia em ônibus especiais dirigidos por funcionários da segurança de Israel.
A passagem segura foi negociada inicialmente no acordo interino de paz de 1995. Entretanto, Israel repetidamente adiou a abertura da estrada, alegando temer que os palestinos usassem a estrada para executar ataques terroristas.
De acordo com o último acordo interino, a estrada deveria ter sido aberta no dia 1 de outubro, mas em decorrência de disacordos sobre a operação da estrada, a abertura foi adiada.
Até o final do ano, uma segunda estrada deverá ser aberta , mas os detalhes ainda não foram especificados.
O primeiro-ministro israelense Ehud Barak disse que num acordo de paz final, ele espera construir uma estrada elevada de forma que os palestinos possam viajar sem ter que entrar em Israel. Tal estrada daria aos palestinos a continuidade territorial necessária para unir Gaza e a Cisjordânia em um território unificado.





