Doze a 18 horas de trabalho por dia em ambientes ruidosos durante 28 anos - os primeiros 10 anos em marcenaria e depois na estrada como motorista de caminhão. O resultado: perda auditiva já detectada. Este é um caso pesquisado pela estudante de fonoaudiologia Camila Gonçalves do Nascimento, da Unopar, que mostra como o tempo de exposição a ruído está diretamente relacionado a perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR).
No caso deste motorista, que tem 41 anos, as queixas começaram com zumbido, principalmente na orelha esquerda, e dificuldade de entender o que os outros falam em ambientes ruidosos. ''Nesse estudo observou-se que houve perda auditiva simétrica bilateral, não só na orelha esquerda'', explica Camila. Ela lembra que a exposição ao ruído também leva a manifestações no organismo, como elevação do estado de vigilância, aumento da frequência cardíaca e respiratória, alteração da pressão arterial e da função intestinal e aumento da produção de hormônios tireoidianos e estresse.
Detectada a perda auditiva, não há tratamento. O que se faz, segundo as fonoaudiólogas Luciana Marchiori e Juliana Jandre Melo, é implantar medidas de proteção para evitar mais perdas. Há também a possibilidade do uso de próteses auditivas. ''As próteses ajudam muito, mas é preciso que o paciente tenha paciência para se acostumar'', ressalta Juliana.(C.P.)

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