Toma, 07 (AE-ANSA) - O líder moderado albano-kosovar Ibrahim Rugova visitou nesta sexta-feira (07) duas crianças internadas em um hospital de Roma e reuniu-se com o "ministro de Exteriores" do Vaticano, Jean Tauran, em seu terceira dia de estadia na capital italiana. No entanto, o chefe do governo provisório de Kosovo, Hashim Thaqui, solicitou que Rugova esclareça sua atual posição política.
Rugova é o presidente da Liga Democrática de Kosovo, que firmou o acordo de Rambouillet, mas não somou-se ao executivo formado por Thaqui após as negociações na localidade francesa. Rugova foi na manhã de hoje ao hospital "Menino Jesus", onde visitou duas crianças kosovares, acompanhado pela ministra da Saúde italiana Rosy Bindi.
"Obrigado por tudo o que estão fazendo por meu povo", disse ele aos médicos do hospital. Segundo fontes, Rugova tenta organizar uma secretaria pessoal na sede romana da Liga Democrática de Kosovo, de onde pretende coordenar suas atividades políticas.
Rugova - que chegou a Roma anteontem com sua família como hóspede do governo de Roma - continuou hoje suas atividades com uma entrevista com o secretário-geral dos Democratas de Esquerda
Walter Veltroni.
"Falou-me de uma cidade morta, de uma cidade fantasma, de seu bairro, com dezenas de milhares de habitantes, que foi evacuada em tão poucas horas pelas forças sérvias, que entravam nas casas e davam prazo de duas horas para abandoná-las. Se não, pagariam caro", disse Veltroni após a reunião.
Depois, nas primeiras horas da tarde, o líder kosovar foi ao Vaticano para encontrar-se com o "ministro de Exteriores" do Vaticano, monsenhor Tauran.
Rugova e Tauran tiveram uma conversa de 45 minutos durante os quais - segundo fontes extra-oficiais - falaram sobre a situação em Kosovo e as possíveis soluções, especialmente perante as perspectivas de negociação abertas por Belgrado nas últimas horas. Rugova não encontrou-se com o papa João Paulo II, que realiza viagem à Romênia.
Enquanto isso, em Tirana, o governo provisório de Kosovo, liderado pelo "duro" Thaqui, considerado o líder político do Exército de Libertação de Kosovo (ELK), pediu a Rugova que, "agora que está livre na Itália, junto de sua família, esclareça sua posição política, após tantas atitudes e declarações suspeitas".
Em nota difundida por meio da agência de notícias Kosovapress, o governo de Thaqui expressou sua esperança de que "Rugova continue apoiando o plano político nacional de seu partido e de nosso movimento nacional democrático".
O executivo kosovar fez um apelo para manter "um comportamento civil, político e nacional" e precisou que "qualquer ação arbitrária, venha de onde vier, não terá para nós nenhum valor e será rechaçada com desdém".
O ELK e o governo de Thaqui se referiram assim a possíveis tomadas de posição de Rugova, que em sua opinião não goza de nenhuma autorização para realizar negociações.
Após os encontros de Rugova com o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, no fim de março, durante os primeiros dias de bombardeio da Otan, Thaqui acusou o líder moderado de "trair" seu povo e vender-se aos sérvios.

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