Rugova pede por força da Otan em Kosovo
Roma, 06 (AE-AP) - Em suas primeiras declarações públicas desde que partiu da Iugoslávia, o mais conhecido líder albanês étnico de Kosovo pediu hoje (06) que uma força de paz internacional que inclua a Otan seja enviada para a província.
Ibrahim Rugova também pediu a retirada das forças sérvias de sua terra-natal.
"Precisamos acima de tudo criar segurança em Kosovo para que o povo possa retornar", disse ele numa entrevista coletiva em Roma.
"As condições para se alcançar uma solução negociada são aquelas colocadas pela comunidade internacional", afirmou ele, ladeado pelo primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema.
Rugova desembarcou em Roma na quarta-feira vindo da Iugoslávia, onde ele era mantido sob virtual prisão domiciliar desde que a campanha de bombardeio da Otan teve início em 24 de março.
A mídia sérvia tinha atribuído a Rugova várias declarações conciliatórias e pedidos pelo fim dos ataques da Otan. Líderes albaneses étnicos e governos ocidentais afirmaram que as declarações haviam sido feitas sob coação.
Um intelectual educado na França e um pacifista, o "presidente" eleito da autoproclamada República de Kosovo não mencionou se estava sendo coagido antes de Belgrado dar permissão para ele viajar para a Itália. Ele também não deu pistas do que pretende fazer agora que está livre para viajar.
Ele também não fez menção à campanha de bombardeios da Otan.
Horas antes de Rugova encontrar-se com a imprensa, a Rússia e potências ocidentais concordaram numa reunião na Alemanha com uma postura comum pela paz, incluindo termos para uma força internacional armada que garanta o retorno dos refugiados a Kosovo.
Rugova garantiu que toda a população de Kosovo, incluindo os combatentes do Exército de Libertação do Kosovo, é a favor de uma solução pacífica.
DAlema disse que "certamente, a paz está próxima", advertindo, entretanto, contra " a fácil ilusão" de que ela virá amanhã.
Recém-chegado da Alemanha, o ministro do Exterior italiano, Lamberto Dini, considerou que a libertação na semana passada pelo presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, de três soldados americanos e a chegada de Rugova à Itália "não são gestos insignificantes".
"Estamos chegando perto de uma solução", afirmou Dini.
O enviado dos EUA para os Bálcãs, Christopher Hill, reuniu-se hoje com Rugova, que também falou por telefone com o secretário do Exterior britânico, Robin Cook, e com a secretária de Estado americana, Madeleine Albright.
Hill, que é também embaixador na Macedônia, foi uma figura-chave na fracassada tentativa do Ocidente de mediar um acordo no conflito de Kosovo.
Albright disse que Hill dedicou um considerável tempo a Rugova. Albright também afirmou que ela conversou pessoalmente com o líder kosovar, de 54 anos.
Em Roma, um destacado funcionário do Departamento de Estado dos EUA, Thomas Pickering, teria dito num encontro com jornalistas italianos que Rugova poderia ter um importante papel a desempenhar.
Na Alemanha, o presidente Bill Clinton considerou a libertação de Rugova um "desdobramento positivo" e afirmou que ela era uma "evidência de que a determinação da Otan está tendo um impacto em Belgrado".





