Pristina, Iugoslávia, 15 (Ae-AP) - O líder moderado de etnia albanesa Ibrahim Rugova recebeu hoje (15) em Kosovo uma acolhida de herói ao voltar de um auto-exílio de dois meses e meio na Itália e mostrou que pretende recuperar sua autoridade numa província hoje dominada politicamente por seus rivais do Exército de Libertação de Kosovo (ELK). "Eu sou o presidente", disse ele em Pristina, capital kosovar, depois de ser saudado com flores e gritos entusiasmados por 2 mil pessoas e recebido pelo representante da ONU na província sérvia, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.
Rugova foi eleito duas vezes "presidente" pela comunidade albanesa de Kosovo, em votações ignoradas por Belgrado e não reconhecidas no exterior. Sua popularidade caiu por causa de uma reunião de paz que manteve em abril - em plena campanha sérvia de limpeza étnica contra os albaneses - com o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, e por sua decisão de exilar-se. Ocupando o espaço deixado por Rugova, o líder do ELK, Hashim Thaci, chefia hoje um autoproclamado governo provisório.
Rugova, em resposta, anunciou que vai unir-se a um conselho administrativo provisório (com sérvios e albaneses) a ser estabelecido pela ONU até a realização de eleições democráticas, previstas por ele para daqui a alguns meses. "Pedimos que todas as forças políticas de Kosovo estejam equitativamente representadas (no conselho), pois é um teste de democracia para nós mesmos", afirmou. Ele considerou "um milagre" a volta de centenas de milhares de refugiados de etnia albanesa - iniciada há um mês, após a retirada das tropas do governo iugoslavo e sua substituição por forças de paz lideradas pela Otan - e prometeu criar condições para que todos os sérvios que fugiram desde então também retornem.
Em Belgrado, seis ativistas da oposição que passavam um abaixo-assinado pela renúncia de Milosevic foram agredidos por um bando de oito radicais, denunciou o Partido Democrático. Segundo a agremiação, três ativistas tiveram de ser hospitalizados. Milosevic também enfrenta a pressão dos aposentados na capital: hoje, 2 mil marcharam pela cidade pedindo pensões maiores e a renúncia do presidente. Outro protesto ocorreu na cidade de Kragujevac, onde 10 mil pessoas exigiram a saída de Milosevic.

mockup