Genebra, 26 (AE-AP) - O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Renato Ruggiero, acredita que a China poderá tornar-se membro da entidade até novembro. Ruggiero disse que as negociações entre Pequim e Washington avançaram muito durante a visita do primeiro-ministro chinês, Zhu Rongji, à capital dos Estados Unidos. Também na avaliação do presidente norte-americano, Bill Clinton, as conversações com a China deverão estar concluídas até o mês de junho.
"Eu acredito que a China poderá ingressar na OMC até novembro, quando a organização deverá iniciar a nova rodada de negociações sobre agricultura, serviços e comércio eletrônico", afirmou Ruggiero. Os esforços do diretor-geral para alcançar esse objetivo no prazo fixado, porém, podem ser prejudicados pelo fato de os países membros da entidade ainda não terem chegado a um acordo em torno de um nome para suceder Ruggiero no cargo. O mandato do atual diretor-geral da OMC termina no fim da semana.
Hoje, os norte-americanos - liderados por Robert Cassidy - reuniram-se em Pequim - em um encontro inesperado, já que estava previsto que a delegação retornaria a Washington no domingo - para dirimir as últimas dúvidas a respeito do acordo de abertura dos mercados. Após a reunião, o negociador chinês Long Youngtu, descreveu as conversas como "muito construtivas e benéficas para ambas as partes".
Long Youngtu também iniciou hoje as negociações com os representantes da União Européia para assegurar o apoio dos europeus à pretensão da China de ingressar na OMC. O negociador chinês reuniu-se com Gerard Depayre, vice-diretor-geral de Relações Internacionais da Comissão Européia, órgão executivo da UE, para discutir principalmente dois pontos: a abertura do setor financeiro e da área de telecomunicações, além do mercado de produtos básicos (commodities).
A equipe que negocia em nome do governo de Pequim informou estar empenhada em obter um acordo com os europeus o mais breve possível. O chefe dos negociadores chineses afirmou, depois do encontro, que Depayre expressou "apoio firme" à pretensão da China.
O governo de Pequim já aceitou remover todas as barreiras que impedem as vendas diretas no mercado local até 1º de janeiro de 2003, caso consiga obter aval para ingressar na OMC. As vendas diretas estavam proibidas no território chinês desde abril do ano passado por causa dos temores de que os negócios do tipo pirâmide da fortuna proliferassem no país, podendo provocar graves prejuízos econômicos.

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