Washington, 02 (AE-DOW JONES) - O secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, recusou-se a responder se o governo de seu país foi consultado pelo Brasil antes do afastamento de Francisco Lopes da presidência do Banco Central. Falando a repórteres em Washington, Rubin disse apenas que é "boa" a comunicação entre os dois governos.
Sobre a mudança no comando no BC brasileiro, o secretário disse que "não caracterizaria como um retrocesso". "Acho que o presidente Cardoso é quem tem de fazer o julgamento sobre quem pode servir melhor a seus propósitos e enfrentar os desafios que ele tem à sua frente", acrescentou Rubin.
Indagado sobre se o governo brasileiro não estaria dependendo demais da política monetária para defender sua moeda, ele disse que essa ainda é uma questão a resolver. Para ele, o governo do Brasil concentrou-se em uma estratégia de reformas que derrubou a inflação a "cerca de zero". A política fiscal, porém, foi deixada de lado. "Portanto, o foco no Brasil, e também na comunidade internacional, tem sido a reforma fiscal. Entretanto, para sustentar uma, sempre houve a questão de qual é a política monetária apropriada. As autoridades do Brasil têm mantido a política monetária que elas acreditam que ajudará a ancorar a moeda", acrescentou Rubin.
Segundo ele, a atual política fiscal do governo brasileiro é "forte", mas terá que ser revisada para refletir os acontecimentos mais recentes. "Eu não acho apropriado comentar a política monetária deles, a não ser para dizer que eles estão bastante focados, o FMI está bastante focado, e a comunidade internacional está bastante focada em qual política monetária vai servir aos propósitos que eu mencionei há pouco, que são manter a força da moeda e, mais amplamente, conter a inflação interna", afirmou Rubin.

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