"Rubin foi um dos maiores deste século", diz Greenspan. Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 12 (AE) - Um homem famoso pelo comedimento de suas declarações, Alan Greenspan, o presidente do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, foi efusivo hoje (12) ao avaliar a passagem de Robert Rubin pela secretaria do Tesouro. "Robert Rubin foi um dos mais eficaezes secretários do Tesouro da história da nação", disse Greenspan pouco depois da confirmação da notícia do pedido de demissão de Rubin.
"Ele foi claramente um dos maiores secretários do Tesouro deste século e Wall Street sentirá falta dele", disse Robert Hormats, que trabalhou nas admistrações Carter e Reagan e hoje é um dos vice-presidentes do Goldman Sachs, o banco de investimentos onde Rubin fez uma carreira de 26 anos.
A queda momentânea da Bolsa de Nova York que se seguiu à notícia atestou a enorme credibilidade que Rubin conquistou no mercado como septuagésimo secretário do Tesouro dos EUA. Embora ele seja lembrado pelo papel central que teve nos últimos dois anos e meio da administração da pior crise financeira internacional dos últimos cinquenta anos, Rubin consolidou sua reputação de arquiteto do mais longo período de prosperidade econômica dos EUA em tempos de paz pelo que fez para arrumar a economia doméstica, antes mesmo de virar ministro. Nas primeiras semanas da administração Clinton, entre janeiro e março de 1993, coube a ele, como principal assessor econômico de Clinton, coordenar a montagem do programa de austeridade fiscal que pôs a administração federal americana no caminho do controle dos déficits orçamentários, depois de quase duas décadas de gastança.
Aprovado por apenas um voto na Câmara, o programa fiscal pavimentou o caminho para a expansão econômica sustentada, com juros baixos e inflação quase inexistente, que já está em seu oitavo ano. A partir de 1998, o aumento da receita tributária gerado pelo vigoroso crescimento da economia ajudou a produzir os primeiros saldos orçamentários dos EUA em quase três décadas.
Foi sua contribuição para essa reversão histórica do rumo da política econômica americana que levou Clinton a elevar Rubin para a secretaria do Tesouro, em janeiro de 1995. Nesse posto, ele se valeu não apenas dos anos de experiência que acumulou como operador e mais tarde sócio e diretor do Goldman Sachs, onde acumulou uma fortuna pessoal estimada em mais de US$ 100 milhões. Uma de suas ferramentas mais eficazes foi seu estilo de trabalho, marcado pelo talento para o trabalho em equipe e por uma modéstia pessoal quase que incongruente com o poderoso posto que ocupava.
Substituir Rubin será um grande desafio para Lawrence Summers. Embora seja co-autor da era de prosperidade que os EUA vivem hoje e da bem sucedida estratégia para a conteção da crise internacional e mesmo que não lhe faltem as credenciais de economias brilhante, que se tornou catedrático na Universidade de Harvard aos 28 anos, Summers assume o comando do time econômico da administração com a economia no apogeu.
Sua missão, portanto, não é necessariamente a de melhorar a situação, mas de preservá-la e passá-la a seu sucessor no mesmo estado de crescimento vigoroso, inflação inexistente, o menor desemprego em três décadas, juros baixos e elevação de todas as faixas de renda baixa.
"Rubin nos guiou na travessia de uma crise global e, sob sua liderança, vimos se desenvolver uma era dourada", disse David Jones, o economista chefe da emprsea Aubrey G. Lanston , de Nova york. "Será difícil substiuí-lo. Summers é respeitado for sua inteligência e por seu brilhantismo econômico, mas não por seu talento diplomático e sua compreensão do mercado. Ele tem a mesma visão pró-mercado de Rubin, mas será testado e terá que provar isso ao mercado".
Cientes de que a sucessão de que a saída de Rubin geraria inquietação às vésperas do início de uma campanha presidencial, Washington preparou cuidadosamente a transição do poder para Summers. Em fevereiro, a revista Time colocou o futuro secretário em sua capa, junto com Greenspan e Rubin, numa matéria claramente calculada para preparar os espíritos para a troca de comando e transmitir a noção de continuidade na mudança. Greenspan, cuja presença no Fed será provavelmente o principal fator de tranquilidade para a transição no Tesouro, endossou hoje o futuro secretário. "Summers é uma pessoa de extraordinário talento e capacidade de julgamento", disse ele. Greenspan está em seu terceiro mandato na presidência do BC americano e a nomeação de Summers torna praticamente certo que ele aceitará um quarto período de quatro anos, quando o atual expirar, em meados do ano que vem.





