Rubin alerta sobre perigos do monopólio do aço Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 10 (AE) - O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Robert Rubin, alertou os parlamentares americanos para o perigo de cederem às pressões do poderoso setor siderúrgico nacional e aprovarem uma lei, limitando as importações de aço. Ele explicou que a legislação não apenas contraria as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), como pode levar outros países a retaliarem, com novas legislações protegendo seus mercados.
"Não é um exagero dizer que isso poderia desencadear uma onda de restrições ao acesso de mercado", disse Rubin. O projeto-de-lei, criticado pelo secretário do Tesouro, limita as importações americanas de aço durante três anos, a níveis iguais ou inferiores aos de julho de 1997 - a data que marcou o início da crise financeira internacional. A Câmara dos Deputados já aprovou a legislação em março passado, e o Senado poderá fazer o mesmo nos próximo meses.
Com apenas 60 votos, os senadores que se opoem à legislação podem retirá-la da pauta de votação. Para ter certeza que esse projeto-de-lei realmente será arquivado, o senador William Roth está propondo um texto alternativo, muito mais moderado. Existe ainda a resistência do poder executivo: a representante de Comércio dos Estados Unidos, Charlene Barshefsky, já deu a entender que, se o projeto-de-lei for aprovado pelo Congresso será vetado pelo presidente Bill Clinton.
Mas o que preocupa Rubin é que a discussão sobre aço, no Congresso americano, se dá no momento em que os candidatos a candidato às eleições presidenciais do ano 2000 estão buscando apoio financeiro e político para a sua campanha. E o setor siderúrgico nos EUA, tradicionalmente protecionista, tem um lobby forte.
O debate também coincide com a finalização de um acordo, negociado pelos governos do Brasil e dos EUA, que tem 30 dias para ser examinado pelo setor siderúrgico americano. No acordo, os exportadores brasileiros limitaram suas vendas aos Estados Unidos, em troca da suspensão de processos anti-dumping e anti-subsídios.
Os processos contra o Brasil, o Japão e a Rússia foram iniciados a pedido do setor siderúrgico americano, que em setembro passado lançou uma campanha para proteger seu mercado. O argumento é que, desde início da crise financeira na ásia, os EUA têm sido inundado por aço barato de outros países, que desvalorizaram suas moedas. A recessão mundial agravou o problema: por não terem a quem mais vender, todos resolveram exportar aos Estados Unidos, cuja economia se manteve sólida.
Os advogados, que defendem os interesses dos exportadores de aço aos EUA, argumentam que se o setor siderúrgico americano quisesse apenas se proteger de um excesso de importações, aceitaria de bom grado os acordos propostos pelo Brasil e a Rússia, para limitarem as suas vendas.
"O setor siderúrgico nacional já controla 85% do mercado, o que quer é os 100%", concluiu um deles.





