Rubens Barbosa pede a inclusão do Brasil no G8
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por João Fábio Caminoto, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Londres, 21 (AE) - O embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, em carta publicada hoje (21) pelo jornal britânico Financial Times, faz uma ardorosa defesa da inclusão do país no G-8, que é o grupo dos sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia. Ao comentar um editorial de 16 de fevereiro, no qual o jornal defendeu um convite à China para ingressar no G-8, Barbosa diz que "certamente, tanto a Rússia como a China são grandes países e merecem consideração" num foro político tão importante. "Mas vocês deixaram, no entanto, de considerar o Brasil, uma das maiores economias emergentes e o país com a quinta maior população do mundo", escreveu Barbosa.
O embaixador ressalta que o PIB do Brasil é quase duas vezes à soma dos PIBs da Rússia e Índia. Diz também que o país é o terceiro maior recipiente de investimentos estrangeiros diretos e o maior no que se refere a investimentos norte-americanos em países em desenvolvimento, incluindo-se o México. "Com um fluxo comercial com os Estados Unidos maior do que o da Rússia, Índia ou China, mais de 410 das 500 maiores empresas norte-americanas listadas pela revista Fortune operam no Brasil. Dada a sua economia de mercado, instituições democráticas, tradições e valores culturais ocidentais, bem como seu potencial econômico e sua contribuição à segurança e paz mundial, o Brasil é um candidato qualificado para mecanismos de coordenação como o G-8."
Barbosa afirma também que o Brasil, além de ser membro-fundador do FMI, Banco Mundial, Gatt e Organização Internacional do Comércio, também foi convidado a se associar ao BIS (Bank for International Settlements) e ao G-20. "Nas áreas nuclear e de segurança, o Brasil tem sido um parceiro confiável e participou de várias missões da ONU." O embaixador argumenta que o Brasil não mantém disputas com nenhum de seus vizinhos e tem um passado marcado pelo total respeito à lei internacional e aos acordos multilaterais. Segundo ele a diversidade cultural, a tolerância religiosa e a "inclusão" na miscigenação racial (ele usa o tradicional termo "melting pot") também são características que deveriam ser consideradas como critérios importantes na avaliação das qualificações do Brasil como um "parceiro valioso do G-7".
O embaixador lembra que o presidente Fernando Henrique Cardoso foi convidado para participar do encontro em Florença entre chefes de Estado e deve atender o próximo em Berlim. "Por todas essas razões, o Brasil é unicamente qualificado como um parceiro internacional e merece consideração séria e total na ampliação de foros internacionais, como o G-7", concluiu Barbosa.


