São Paulo, 26 (AE) - A chuva que castigou as cidades da região do ABC na manhã de hoje assustou a população. Várias ruas ficaram alagadas, deixando apreensivos os moradores, que lembravam dos danos provocados pelo temporal de duas semanas atrás, quando ocorreram desabamentos, mortes e muitos transtornos no trânsito.
Em São Caetano do Sul, os problemas ficaram concentrados
mais uma vez, na Avenida Guido Aliberti. Na Vila São José - bairro que fica próximo do Sacomã, na zona sul da capital -, a água impediu que os carros trafegassem tanto em direção ao centro da cidade quanto na de São Bernardo do Campo. Também não era possível seguir pela Estrada das Lágrimas.
O volume de água no Córrego dos Meninos atraiu a curiosidade de dezenas de motoristas e moradores, que foram para a margem do rio. O clima no bairro - um dos mais atingidos pela na última enchente - era de tensão. A empregada doméstica Maria Diolanda, de 44 anos, estava apavorada, mais uma vez. Há duas semanas, quando foi ouvida pela reportagem, ela tentava salvar alguma coisa de sua casa, invadida pela água do córrego. "A gente não tem mais sossego aqui".
Maria e o marido, que mudaram "de favor" para um sobrado vizinho, já haviam levado os móveis para o andar superior. "Desde as 8 horas a gente tá aqui, com o ouvido na escuta", contou. "Embaixo só ficou o resto do fogão, que já tá todo quebrado". "Pavor" - Proprietária de uma das casas que desabaram no último temporal, Maria Josilene Ferreira da Silva, de 34 anos, também já havia organizado seus pertences, à espera de uma enchente. "Já subi tudo e tô esperando", disse. "Eu fico num pavor, que me dá até suadeira, dor de barriga".
Na principal entrada do município - próximo da favela de Heliópolis, na zona sul - , as chuvas voltaram a causar problemas, também na Avenida Guido Aliberti. Até por volta das 10h30, o acesso à cidade permaneceu bloqueado. A água atingiu 1 metro, mas não chegou a provocar danos às empresas instaladas na região.
Os funcionários da concessionária Primarca voltaram a executar uma espécie de ritual: retirar todos os veículos e computadores da loja e transferi-los para um ponto mais seguro. "Isso aqui é um transtorno, sempre a gente tem de levar tudo para não ter prejuízos", afirmou o gerente-geral, Randal Paranhos.
De acordo com a Assessoria de Imprensa da prefeitura, não houve enchente na cidade, apenas pontos de alagamento, que prejudicaram o trânsito em diversos trechos. Às 14 horas, de acordo com os dados oficiais, a situação já estava normalizada. Piscinões - Em São Bernardo do Campo, as ruas Jurubatuba e Marechal Deodoro e a Avenida Faria Lima tiveram diversos pontos de alagamento. O tráfego ficou complicado, principalmente pela coincidência da chuva com o horário de pico, entre 7 e 8 horas. De acordo com a Assessoria de Imprensa da prefeitura, os piscinões da cidade funcionaram e estavam totalmente cheios até o fim da tarde. A água retida só não havia sido liberado para evitar problemas nos municípios vizinhos.

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