RTP transmite entrevista com FHC feita antes da reeleição
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quarta-feira, 04 de agosto de 1999
Por Jair Rattner 
Lisboa, 05 (AE) - A televisão estatal portuguesa RTP resolveu hoje (05) tirar da gaveta um programa com mais de um ano de idade. Os espectadores do canal 1 de Portugal viram uma entrevista feita por Mário Soares com o presidente Fernando Henrique Cardoso em 6 de abril de 1998.
Seis meses antes da reeleição e quase oito meses antes da crise cambial, Fernando Henrique afirmava que o Brasil estava aprendendo a combater os ataques especulativos contra o real: "Nós demos respostas muito firmes, porque o fundamental é o salário do povo. A moeda tem que ser defendida para garantir o salário do povo."
Comparando com os países asiáticos, o presidente disse que o país tinha feito as reformas e pôs o Brasil num patamar superior às economias asiáticas. "Nós nunca tivemos recessão depois do Plano Real. Os países que não souberam defender suas moedas entraram em recessão."
Completamente desatualizada, a entrevista mostra uma relação já inexistente do Brasil com seus vizinhos: "O Mercosul é hoje para nós uma segunda natureza do Brasil. Se houve uma mudança na política externa brasileira foi o Mercosul e a relação fraterna com a Argentina."
Na época, o presidente queria associada ao bloco a Venezuela, país que hoje vive uma transformação política que ninguém sabe no que vai dar. "Chile e Bolívia são países associados ao Mercosul e faço empenho para que a Venezuela participe."
Sedutor - Fernando Henrique defendeu a base política que o sustentava no primeiro mandato e preparava sua reeleição. "Em democracia, o exercício da presidência requer diálogo e capacidade de convencimento. Em certos momentos, um partido não gosta, mas eu faço".
Mário Soares brincou com a idéia de que Fernando Henrique tinha capacidade de convencer as pessoas, dizendo que o presidente tem fama de sedutor. O presidente Henrique respondeu no mesmo tom: "Isso é fama, não sei se é a realidade."
Sobre a violência existente no Brasil, Fernando Henrique afirmou que atualmente está ligada ao tráfico de droga e não apenas à miséria. "No Rio de Janeiro, que hoje é uma cidade com nível de desemprego dos mais baixos do país, não obstante há um problema de violência. Os grupos organizados exploram os excluídos e os transformam em instrumentos da droga. É uma violência organizada. Hoje em dia, os mecanismos de distribuição da droga são globalizados."


