Porto Alegre, 09 (AE) - O Rio Grande do Sul usará um kit especial, desenvolvido nos Estados Unidos, para detectar lavouras de soja transgênica, cujo plantio e comercialização está proibido no Brasil. A informação foi confirmada hoje pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do RS, que pretende adquirir o produto. Como este tipo de lavoura é ilegal, o secretário José Hermeto Hoffmann, advertiu que as plantações clandestinas serão destruídas. Produzido pelo laboratório Strategic Diagnostic Inc, o kit analisa o tecido vegetal ou o grão e, em cinco minutos, detecta se a soja é transgênica ou não. Segundo o fabricante, a margem de erro é de somente 0,01%.
Ao preço de US$ 300, cada kit permite a realização de 100 análises e seria o único no mundo a possibilitar uma análise tão rápida. Hoje, a Secretaria anunciou sua disposição de adquirir imediatamente o kit mas não havia definição sobre o número de unidades a serem encomendadas. Desde janeiro, o governo gaúcho combate o plantio da soja geneticamente modificada da empresa Monsanto. A intenção de Hoffmann é transformar o Estado em zona livre de transgênicos, invocando razões ecológicas, de saúde pública e também comerciais.
Ele entende que a soja convencional - produzida no Estado e com garantia de qualidade - ganhará um preço superior, especialmente na Europa, onde as associações de consumidores pressionam as cadeias de supermercados e a indústria de alimentos para boicotar os transgênicos. Outras entidades compartilham do ponto de vista do governo estadual, entre elas o Greenpeace, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec). Dois ministérios federais, o da Saúde e o do Meio Ambiente, igualmente mantém reservas quanto aos transgênicos.

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