São Paulo, 01 (AE) - O plantio da soja transgênica - geneticamente modificada - no Rio Grande do Sul vai atingir 1 milhão de hectares na safra 99/2000, cerca de um terço da área cultivada com a oleaginosa no Estado. A denúncia é do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem), Ywao Miyamoto, que disse ser "público e notório" o plantio de soja transgênica no RS, apesar da posição contrária do governo gaúcho. As sementes, afirmou o produtor, são contrabandeadas da Argentina.
De acordo com Miyamoto, os contrabandistas fazem até "dias de campo", com distribuição de folhetos e ofertas de sementes de transgênicos argentinos no RS. Ele defende a liberação dos produtos transgênicos já aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), como soja, colza, milho e hortaliças, argumentando que as discussões em torno do tema têm sido "emocionais e políticas".
No caso da soja argentina contrabandeada, afirma, as variedades não são testadas contra pragas e doenças, como o nematóide, nem estão adaptadas às condições de plantio do Brasil. Miyamoto diz que no ano passado foram cultivados no RS 300 mil hectares de soja transgênica, neste ano serão 1 milhão de hectares e no próximo ano este tipo de plantio deve avançar para o Paraná e Goiás, atingindo 2 milhões de hectares.
"Caso o governo brasileiro não libere o plantio da soja transgênica, nos próximos dois anos as sementes contrabandeadas da Argentina podem corresponder a 30% da produção nacional da oleaginosa. Os produtores de sementes, em congresso na semana passada, em Foz do Iguaçu (PR), defenderam em manifesto "a continuidade da pesquisa e liberação e comercialização de sementes geneticamente modificadas". O presidente da Abrasem, Ywao Miyamoto, considera um atraso a proibição aos transgênicos e mesmo uma possível moratória.

mockup