RS vai importar milho, mas só aceita produto não-transgênico
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Renato Stancato 
São Paulo, 15 (AE) - O secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, José Ermeto Hoffman, afirmou hoje que o Estado terá que importar milho por causa da quebra de safra de verão. De acordo com ele, Hoffman disse que mais de 20 mil toneladas do produto da Argentina já entraram no Estado este ano. "Estamos diferindo o ICMS para a entrada desse milho, desde que o importador traga certificados de que o produto não é transgênicos", disse. Além disso, o governo gaúcho está retirando amostras do produto e vai buscar testes de análise genética para milho BT."Infelizmente, os testes que temos para o Roundup Ready não servem para certificar o milho", disse o secretário.
Hoffmann participou hoje do seminário "Alimentos Transgênicos: A Realidade Brasileira e o Consumidor Europeu", organizado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), em São Paulo. O seminário reuniu técnicos, representantes de governos, iniciativa privada e Ministério Público.
Rotulagem - O secretário criticou a discussão de uma lei de rotulagem para o Brasil. "Uma lei de rotulagem não combina com um país onde a venda comercial do produto é proibida", disse. O secretário também disse que o governo do Rio Grande do Sul vetou a lei estadual que impedia a fiscalização de transgêncos por representantes do governo gaúcho. "É uma lei inconstitucional, e é preciso que as entidades de consumidores e ambientalistas estejam atentas neste início do ano para que a oposição do Estado não derrube este veto", afirmou.
A fiscalização do RS, disse, provocou uma "diáspora" de sementes de soja transgênica para outros Estados. "Após as primeiras fiscalizações de sementes, fizemos uma reunião com produtores e lhes demos a oportunidade e crédito para trocarem sementes transgênicas pela convencional; grande parte dessas sementes deve ter deixado o Rio Grande do Sul para outros Estados."
O secretário culpou a inoperância da fiscalização federal pela suposta propagação de sementes transgênicas. "Este Executivo é favorável a liberação dos transgênicos e está fazendo de tudo para torná-los inevitáveis", acusou. Ele voltou a criticar a atuação do Ministério da Agricultura. Hoffman disse que o recolhimento de amostras de lavouras não teve transparência, impedindo o Estado de conferir se haviam sido fiscalizadas as propriedades colocadas sob suspeita.
A bomba, contudo, explodiu na semana passada, quando a Embrapa de Passo Fundo afirmou que não estava fazendo os testes de transgenia por falta de recursos. "Isso mostra o ânimo do Governo Federal", atacou.
Lavouras - Hoffman disse que o governo gaúcho interditou 11 lavouras já plantadas, um número que ficou abaixo das projeções de que estaria ocorrendo uma grande disseminação no Estado. "Acho que o Rio Grande do Sul é o Estado em que há menor plantio de transgênicos", afirmou.
Devolução - O secretário gaúcho diz não ter dúvidas de que a Europa deverá devolver alguns navios de soja e produtos do Brasil. "Podemos ter um retrocesso na produção agrícola porque o governo brasileiro não teve a inteligência de perceber a demanda da Europa por soja convencional", afirmou. O secretário disse que o governo do Paraná havia comunicado que um navio com 800 mil toneladas de farelo foi devolvido pela Holanda no ano passado, após ter sido reprovado no teste de transgenia." Esse cenário vai se repetir", disse.
Hoffmann afirma que a situação está criando um cenário de insegurança entre produtores e a indústria. "As cooperativas e indústrias do Rio Grande do Sul e do Paraná não querem receber produto transgênico, e os produtores dos dois Estados estão com medo que sua safra seja misturada com a de um vizinho que plantou semente contrabandeada", disse. "Nesse caso, toda a produção, misturada em um armazém, fica comprometida." Ele acredita que o Rio Grande do Sul conseguirá ter uma produção exclusivamente não transgênica na próxima safra. "Este ano, infelizmente não foi possível, mas a atuação do governo impediu uma maior difusão dessas sementes."


