O laboratório de bioquímica da Fundação Universidade de Rio Grande (Furg), em Rio Grande, litoral sul do Rio Grande do Sul, foi arrombado na manhã de sábado. Os ladrões levaram um freezer e dois refrigeradores que guardavam fungos (aspergilos) usados em uma experiência com farelo de arroz. Segundo a bioquímica Eliana Furlong, os assaltantes podem estar contaminados e correm risco de vida. ‘‘Quem aspirou os fungos poderá desenvolver um quadro com sintomas similares ao da tuberculose e, em prazo mais longo, desenvolver, por exemplo, câncer no fígado’’, advertiu. Estômago, cérebro e outros órgãos igualmente poderão ser afetados.
A polícia foi avisada e os pesquisadores alertaram sobre o perigo à população através da emissora local de TV. Os sintomas, segundo a professora de bioquímica que trabalha com análise de microtoxinas no laboratório da Furg, não surgem imediatamente. Eles tanto podem se manifestar em alguns dias como demorar até um mês. Eliana lembra que se a vítima for uma criança, um idoso ou uma pessoa com baixa resistência imunológica, os sintomas serão mais rapidamente percebidos. ‘‘Os primeiros sinais envolvem perda de sangue pela boca e pelo nariz, como acontece com os tuberculosos’’.
Mas a ameaça não se limita aos ladrões. Quem usar o freezer e os refrigeradores estará sujeito a adoecer após comer ou beber alimentos neles acondicionados. ‘‘Os esporos permanecem e, com condições de umidade adequadas, vão contaminar tudo o que for colocado ali’’. A professora lembra o caso dos arqueólogos que, depois de visitarem as pirâmides do Egito e ingressarem nas câmaras mortuárias dos faraós, até então intactas, acabaram morrendo.
Os arrombadores entraram no laboratório, localizado no campus Cidade da Furg, quebrando uma janela. Esvaziaram o freezer e os dois refrigeradores ali mesmo, espalhando os aspergilos e o farelo de arroz pelo chão, depois de destruírem vários frascos.

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