RS recusa habilitação paraguaia
Depois de suspensas no Paraná, as carteiras de habilitação feitas por brasileiros em cidades paraguaias que fazem fronteira com o Brasil passam a ser recusadas também pelo Departamento de Trânsito (Detran) do Rio Grande do Sul. A proibição foi anunciada na tarde de ontem pela chefe da Divisão de Habilitação do Detran-RS, Gisele Mari Vasconcelos da Silva.
Segundo a determinação, o condutor que possui a carteira terá que comprovar que está morando no país vizinho ou ir até o Centro de Formação ao Condutor (CFC) de qualquer cidade gaúcha para provar que sabe dirigir e que passou por todas as provas e cursos exigidos por lei.
Até março deste ano, cerca de 35 brasileiros se habilitavam todo mês em cidades paraguaias, sendo a maioria formada por brasiguaios (que possui residência fixa no exterior) ou proveniente de localidades próximas à fronteira. Atualmente, são habilitados em média 35 motoristas em um único dia no Departamento de Segurança e Trânsito de Puerto Presidente Franco (distante 25 quilômetros de Foz), muitos deles de outras regiões do Brasil.
O aumento na procura das carteiras preocupou a direção do Detran-Paraná, que suspendeu o uso desses documentos em rodovias do Estado. A determinação vale para aqueles que residem no Brasil e não possuem qualquer vínculo com o país vizinho. Isso é para evitar que pessoas falsifiquem o documento ou se habilitem sem saber dirigir, disse o coordenador jurídico do Detran-PR, Carlos Roberto Valle.
Há 20 dias, a Folha foi a Puerto Franco, cidade distante 25 quilômetros de Foz do Iguaçu e confirmou a presença de grupos brasileiros que organizavam excursões ao Paraguai para tirar a habilitação a um custo de R$ 43,00.
O gaúcho Anecir da Silva Basílio, 46 anos, que na época levou ao Paraguai um grupo de amigos de Pelotas (RS), disse que já possuía habilitação brasileira, mas mostrou-se indignado com o preço praticado no Brasil.
O uso de carteiras paraguaias ainda é possível no Brasil graças a acordos realizados entre os dois países. Em Puerto Franco, não são realizados testes práticos nem utilizados questionários sobre legislação. O candidato precisa apresentar somente exames de visão, audição e tipo sanguíneo. A carteira fica pronta em apenas duas horas.





