Porto Alegre, 2 (AE) - O secretário de Agricultura e Abastecimento do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, chamou de "precipitada" a liberação para plantio comercial de cinco variedades de soja transgênica da empresa norteamericana Monsanto e adiantou que o governo do Rio Grande do Sul recorrerá à Justiça para contestar a medida.
Acrescentou que outras entidades compartilham do ponto de vista do governo estadual quanto aos transgênicos, entre elas o Greenpeace, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o Ibama e o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), e deverão organizar manifestações contra a decisão.
O governo gaúcho deseja que o estado seja transformado em área livre de transgênicos. "Temos convicção que a medida será revertida judicialmente", disse.
A seu ver, a rotulagem para distinguir alimentos transgênicos e não-transgênicos é "uma cortina de fumaça". Ressaltou que, cada vez mais, as pessoas querem saber o que estão comendo para protegerem sua saúde, e esta circunstância fará com que exijam mais informações.
Ele achou estranho que os ministérios da Saúde e do Meio Ambiente - ambos com postura contrária à liberação das plantas geneticamente alteradas - não tenham sido convidados para a reunião, em Brasília, que decidiu pela autorização do cultivo.
Segundo Hoffmann, as pastas dirigidas pelos ministros José Serra e Sarney Filho, mais o Ministério da Justiça, de Renan Calheiros, tinham fortes reservas à liberação. No seu entendimento, a tomada de posição pelos Ministérios da Agricultura e da Ciência e Tecnologia significa um retrocesso, conflitando com os rumos seguidos pelos países da Europa, que impõem restrições ao cultivo.
Hoffmann não acredita que o Ministério da Agricultura possa fiscalizar as 657 áreas experimentais do País. "O Ministério não tem condições de acompanhar nem 20% deste total"
comentou.

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