Porto Alegre, 16 (AE) - O secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, quer que o Brasil adote uma "moratória" de cinco anos para o cultivo e venda de transgênicos (alimentos geneticamente modificados). O prazo é defendido também por entidades ambientalistas.
Hoffmann vai buscar a adesão das bancadas gaúcha, do Paraná e de Mato Grosso (estados que plantam soja) para esta proposta. Entre os dias 5 e 8 de junho, haverá um seminário no Senado sobre o tema. O governo gaúcho foi convidado para apresentar seus argumentos contra os transgênicos.
Enquanto o debate nacional avança, no estado há uma posição definida. O governo gaúcho, informou o secretário, buscará uma forma jurídica de interditar a entrada e produção de alimentos transgênicos no Rio Grande do Sul, se eles forem aprovados comercialmente no Brasil. O Ministério da Agricultura poderá liberar amanhã (17) cinco variedades de sementes transgênicas fabricadas pela Monsoy.
O objetivo do governo gaúcho é bloquear o ingresso destes produtos até que seja aprovada uma lei estadual impedindo seu plantio e comercialização. A intenção é o estado uma área livre de transgênicos. A proposta está tramitando na Assembléia Legislativa. "O governo federal quer acelerar isto (a liberação) antes que a população discuta em profundidade o assunto", afirmou.
Hoffmann retornou hoje da Europa, onde fez contatos com importadores interessados em comprar soja não-transgênica do estado. Em agosto, a Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai (Cotrimaio) vai vender farelo de soja convencional do Rio Grande do Sul para a França.
O secretário afirmou que o mercado para este produto é grande nos países europeus."Temos razões comerciais para impedir os transgênicos", declarou.

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