RS duplica cobertura florestal
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Agência Folha De Porto Alegre 
O Rio Grande do Sul teve sua área de cobertura florestal duplicada desde 1983. De 5,64% do território em 1983, o índice passou para entre 9,4% e 11,4%. Os dados são resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema).
Uma questão de fundo social suprime parte da euforia gerada pela informação: o êxodo rural é um dos motivos para o aumento na cobertura (que teve o acréscimo de cerca de 30 mil quilômetros quadrados).
Terrenos que eram cultivados e deixaram de sê-lo se tornaram campo aberto para o crescimento da vegetação, que substituiu a roça. Isso ocorreu especialmente na serra (Caxias do Sul e Bento Gonçalves) e na região metropolitana (Gravataí).
Nem mesmo esse dado, porém, pode ser visto como totalmente negativo. Há a constatação de que muitas vezes o que ocorre não é o simples abandono do plantio, mas a consciência do agricultor em relação à conservação ambiental e a manutenção voluntária de uma área para a vegetação nativa.
O diretor do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Sema, Luiz Felippe Kunz Júnior, alerta que o aspecto positivo em termos ecológicos do aumento na cobertura florestal não pode servir como motivo para as empresas madeireiras se sentirem livres e desatarem uma exploração indiscriminada.
De acordo com Kunz Júnior, houve o aumento de espécies diversas e novas de vegetação. Quando houver a divulgação oficial do estudo, no próximo dia 15, serão detalhadas, também, as áreas onde poderá ocorrer exploração.
De qualquer forma (apesar de uma das causas ser o êxodo rural e de o fato poder servir como pretexto para a exploração), a conclusão do trabalho foi intensamente festejada nos meios científicos gaúchos.
O Inventário Florestal do Rio Grande do Sul (nome oficial do projeto) teve o custo de R$ 1,04 milhão, bancado pelo Fundo de Desenvolvimento Florestal (Fundeflor), e deverá, a partir deste ano, ser renovado quinquenalmente.
Em números brutos, a cobertura florestal gaúcha subiu de 15,9 mil quilômetros quadrados em 1983 (1,8 mil quilômetros quadrados de área plantada e 14,1 mil quilômetros quadrados de florestas naturais) para entre 26,5 mil e 32,1 quilômetros quadrados em 2000 (3,9 mil quilômetros quadrados de área plantada e de 22,5 mil a 28,2 mil quilômetros quadrados de florestas naturais).
Os dados foram colhidos a partir do mapeamento realizado por imagens de satélites, que especificaram o tipo de vegetação existente em cada um dos 800 pontos referenciados. A interpretação foi feita por computadores a partir de informações armazenadas em um software desenvolvido pela UFSM.


