Porto Alegre, 13 (AE) - O governo do Rio Grande do Sul reagiu com dureza à iniciativa do governador baiano César Borges (PFL), de publicar anúncio hoje no jornal "O Estado de S. Paulo", convidando as empresas General Motors e Ford para trocarem o Estado pela Bahia, acirrando assim a guerra fiscal. "Isto é a face degradada da guerra fiscal. É a face acanalhada do que representa jogar irmãos contra irmãos no mesmo País", atacou o chefe da Casa Civil, Flávio Koutzii. O atual governo não concorda com as vantagens dadas às duas multinacionais na gestão Antonio Britto (PMDB) e pretende renegociar cláusulas dos contratos.
A atitude de César Borges foi considerada "estúpida e cega". Para Koutzii, a iniciativa do governo baiano parte de quem acha que vamos fazer "um País decente para sua gente nesta antropofagia e nesta destruição". Ele também definiu o texto da peça publicitária como "desrespeitoso", propondo "a idéia de que lá é que se cumpre a palavra e os compromissos". O Rio Grande do Sul nega ter rompido contratos com as duas empresas, argumentando que busca apenas uma negociação para transformar "um negócio que é excelente para as indústrias em bom também para o Estado".
O vice-governador Miguel Rossetto classificou a posição do governo baiano de "criminosa", estimulando a guerra de concessões tributárias que, no seu entendimento, provoca perdas para os Estados, o País e o povo. O deputado Ronaldo Zulke, líder do governo na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, optou pela ironia. "A Bahia deve estar localizada em outro País
deve estar sobrando dinheiro lá para distribuir às empresas. O que não temos observado nas reuniões dos governadores, onde o discurso é outro", comentou. "O Antonio Carlos Magalhães deve ter conseguido um aporte de dinheiro junto ao Fernando Henrique, e a Bahia deve estar nadando em dinheiro para oferecer às multinacionais", ironizou. Zulke tachou o anúncio de "péssimo exemplo" e fomentador da guerra fiscal.
O anúncio foi publicado na página A9, da editoria de Política, de "O Estado de S. Paulo", na edição de hoje, ocupando meia página. "GM e Ford, venham para a Bahia", chama. "Aqui, a gente honra os compromissos e está sempre andando na frente", prossegue. É enfatizado também o termo "Bahia com H, de honra".
As negociações do Rio Grande do Sul estão mais avançadas com a GM, que ainda deve receber R$ 57 milhões em obras de infraestrutura - públicas ou privadas, mas custeadas pelo Estado - na sua planta de Gravataí. O governo anterior repassou R$ 253 milhões para a GM em março de 1998, como empréstimo favorecido - sem correção monetária, juros de 6% anuais, 15 anos para pagar com cinco de carência. Para a Ford, que planeja se instalar em Guaíba, é necessário pagar, como empréstimo, nas mesmas condições, mais de R$ 400 milhões. Ao todo, o Estado já repassou R$ 399,9 milhões às duas montadoras. O governo gaúcho calcula que a renúncia fiscal beneficiará as duas empresas em cerca de R$ 5 bilhões.

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