RPR retira apoio a Tibéri para as eleições municipais de 2001 em Paris Do correspondente Gilles Lapouge
RPR retira apoio a Tibéri para as eleições municipais de 2001 em Paris Do correspondente Gilles Lapouge15/Mar, 18:21 Paris, 15 (AE) - A carreira de prefeito de uma grande metrópole não é totalmente tranquila: Em São Paulo, Celso Pitta sabe bem disso. Em Paris, é o atual prefeito, Jean Tibéri, que gostaria muito de se candidatar novamente nas próximas eleições, mas seus adversários estão desmembrando-o em pedaços, em pedaços tão pequenos que se pergunta se sobrará alguma coisa de Jean Tibéri em março de 2001, quando se darão as eleições municipais: talvez uma ponta do braço, um pedaço do omoplata ou do cérebro. Pobre Tibéri! O personagem está anulado: insignificante, quase invisível. Mas com toda a razão: por meio de Tibéri, desenvolve-se um "acerto de contas" generalizado na "direita", de onde Tibéri é proveniente e, mais particularmente, na direita "gaullista" (partido RPR) do qual o dirigente é o presidente Jacques Chirac, ele mesmo ex-prefeito de Paris. A novela é demasiadamente obscura para ser resumida. Portanto, grosso modo: Chirac foi durante muito tempo o "senhor de Paris". Foi a partir dessa "fortaleza" que lançou suas ofensivas, tendo a última delas impulsionado-o à presidência da República. E Chirac, quando deixou a prefeitura de Paris para altitudes mais gloriosas, colocou no "trono" esse inofensivo Tibéri, "marionete" por intermédio do qual Chirac poderia continuar a influenciar a capital. Mas, com o decorrer do tempo, Tibéri foi surpreendido pela onda "anticorrupção". E foi "condenado" pelos negócios suspeitos no órgão das habitações de Paris. Para tudo reparar, a mulher de Jean Tibéri, Xavire Tibéri, com a ajuda de um amigo político de Tibéri, beneficiou-se de um relatório luxuosamente pago sobre um assunto sem interesse. A dama, cujo QI está entre o QI de Einstein e o QI da galinha d´angola, rabiscou trinta páginas estúpidas com muitos erros, antes de mais nada, de ortografia. Então, o casal da prefeitura (Jean Tibéri e sua mulher, Xavire) já pouco admirado, foi arrastado pelo turbilhão dos "escândalos". E seus amigos políticos evaporaram. E o que é pior: como a "prefeitura de Paris" é um cargo suntuoso, muitos dos antigos amigos de Tibéri fizeram de tudo para lhe dar um último peteleco e tomar seu lugar nas próximas eleições de março de 2001. Mas Tibéri guardou um trunfo: Jacques Chirac, que reina sempre sobre a "direita", não lhe retirou sua bênção. A paciência de Chirac impressionou: apresentar, em março de 2001, um homem tão medíocre e comprometido como Tibéri, significaria perder Paris. Seria deixar a esquerda socialista instalar-se nesse posto excepcional. Por que Chirac defenderia Tibéri remando contra todas as correntes? Por sentimentalismo? Essa palavra não tem muito sentido nessa batalha de "arrancar os cabelos" que é a política. E então? Alguns maldosos sugerem que Chirac temeria que Tibéri fale, ou seja, faça algumas revelações sobre o que foi o "sistema Chirac" quando ele próprio era prefeito da capital. É verdade? É mentira? De qualquer maneira, a mulher de Tibéri, que defende seu marido como uma hárpia, muitas vezes dá a entender, em alusões como patas de elefantes, que, de fato, Tibéri sabe muito sobre pessoas bem colocadas etc. No entanto, desde essa manhã, tudo indica que Jacques Chirac deu um salto, que ele tirou sua unção a seu ex-amigo que se tornou "ovelha negra". O presidente do partido de Chirac (RPR), Michelle Alliot-Marie, efetivamente suspendeu Tibéri de suas funções no RPR de Paris. Essa decisão significa retirar o apoio do RPR para as eleições municipais de março de 2001: ou seja, quer dizer "guilhotinar" Tibéri. Isso tem duas consequências: de um lado, na direita e, especialmente, no RPR, outros candidatos vão avançar e fazer duelos de sangue para obter a designação de um candidato oficial do RPR (particularmente o poderoso Philippe Seguin). E a segunda consequência: os socialistas parisienses, que não se matam em público com a mesma indecência que a direita, querem aumentar sua chance de ganhar a "sorte grande".





