Rouquidão constante pode sinalizar doença
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quinta-feira, 13 de abril de 2006
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Entre 20 a 30% da população apresentam algum tipo de lesão nas cordas vocais. A maioria é benigna, mas essas lesões podem evoluir para um problema grave, como o câncer de laringe, patologia que atinge cerca de 15 mil pessoas anualmente no Brasil. O mais grave é que mais da metade desses casos resultam em morte, quando poderiam ter sido tratados com sucesso se descobertos em tempo.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), todo ano quatro a cinco novos casos de câncer de laringe surgem no mundo em cada 100.000 habitantes. O Brasil é um dos países com maior incidência da doença. Precupados com essa situação, a Academia Brasileira de Laringologia e Voz, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia decidiram centrar as campanhas do Dia Mundial da Voz, comemorado dia 16 de abril, na conscientização da população sobre a importância de prevenção dos problemas vocais.
Em 2004, a professora Ruth Rasoto, que ensina português e inglês 40 horas por semana, há 20 anos na rede estadual de ensino, aprendeu essa aula na prática. Ela teve um resfriado, que evoluiu para tosse, dor de garganta até que acabou perdendo a voz. Ruth procurou o médico, que diagnosticou a presença de pequenos nódulos nas cordas vocais. Para tratar o problema, ela teve que ficar afastada seis meses do trabalho, tempo em que se submeteu à tratamento de fonoaudiologia.
A professora conta que não foi o resfriado que desencadeou o problema, mas a profissão. ''Eu já tinha disfonia nas cordas vocais por fala. Os nódulos foram uma consequência'', ela conta. Há um ano Ruth voltou ao trabalho e agora começa a sentir novamente as consequências de sua profissão. ''Na escola temos vários professores com problemas nas cordas vocais. Além de falar muito, temos que falar alto porque as salas estão lotadas e ouve-se tudo de uma sala para outra'', diz.
O uso inadequado e abusivo da voz é, em geral, a principal causa dos problemas da voz. Outras causas comuns são as laringites, surgimento de pequenos cistos, ou de nódulos ou pólipos. Mas o grande vilão, segundo o otorrinolaringologista Geraldo Sant'Anna, presidente da Academia Brasileira de Laringologia e Voz, é o fumo, responsável por 97% dos casos de câncer de laringe.
Segundo a professora e fonoaudióloga Rosana Benine, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), os problemas vocais normalmente não causam dor aguda ou provocam sintomas que chamem a atenção imediatamente. ''Às vezes a pessoa fica rouca, por exemplo, mas ela se acostuma a esse sintoma, e não procura atendimento médico'', alerta.
Sem tratamento adequado, problemas vocais inicias podem evoluir para uma situação mais séria. O tratamento normalmente acontece por meio de fonoterapia, medicação, cirurgia ou da associação dessas terapias. O diagnóstico precoce, por sua vez, aumenta em 95% as chances de cura em casos de câncer de laringe.
Com consultas anuais ao otorrinolaringologista também seriam reduzidas as cirurgias de retirada da laringe, procedimento mais utilizado em casos de câncer em estado adiantado. Sem a laringe, só restam três possibilidades para o paciente continuar se comunicando através da voz: a laringe mecânica, a voz esofágica ou o uso de prótese traqueoesofágica. Com o primeiro recurso, a voz ganha uma característica robótica. Nos dois últimos, pode dar a impressão de que a pessoa fala com grande dificuldade e com a voz muito grossa e alterada.


