Roupas casuais causam confusão nos Estados Unidos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Rachel Beck 
Nova York (AE-AP) - Vestir-se casualmente no trabalho deveria, supostamente, tornar a vida mais fácil. Mas agora, a confusão é enorme pelas corporações norte-americanas, com alguns tipos chatos pensando que casual significa tirar os ternos, enquanto outros aparecem no escritório vestindo camisetas velhas ou exibindo seus umbigos.
A situação ficou tão complicada que algumas empresas estão contratando consultores para ajudar as pessoas a compreender o que são roupas apropriadas para o trabalho e o que é melhor deixar em casa. Uma empresa chegou até a unir-se à Polo Ralph Lauren e à revista Esquire para promover um seminário sobre "roupas casuais nos negócios" para seus advogados na próxima semana.
"Há muita confusão sobre o que é casual por aqui, as pessoas vêm para o trabalho com roupas com as quais lavam seus carros ou saem para passear com o cachorro", diz Sherry Maysonave, autora do livro "Poder casual: como potencializar sua comunicação não-verbal e vestir-se para o sucesso".
"As companhias estão percebendo que não é tão fácil vestir-se casualmente, na verdade, isso pode causar alguma dor de cabeça."
As roupas casuais vêm sendo a norma para aqueles que trabalham no setor high tech, mas começou a engatinhar na cultura corporativa das principais empresas no início dos anos 90.
Em princípio, as empresas permitiram aos seus funcionários abandonassem seus ternos e gravatas às sextas-feiras durante o verão. Isso rapidamente estendeu-se para todas as sextas-feiras do ano e, finalmente, foi permitido durante todos os dias no verão.
Agora, diversas empresas grandes, dentre elas importantes geradoras de Wall Street tais como Morgan Stanley Dean Witter e gigantes "blue-chip" como a Coca-Cola, permitem que seus funcionários vistam-se casualmente o ano todo.
Muitas não querem ficar atrás em relação às tão casuais empresas pontocom com as quais fazem seus negócios e disputam funcionários.
De acordo com uma pesquisa de 1999 sobre como 750 corporações beneficiam os executivos realizada pela Sociedade para a Gerência de Recursos Humanos, 42% disseram que suas companhias permitiam as roupas casuais todos os dias. Este número era de 36% no ano anterior.
Cinquenta e um por cento das companhias com mais de 5.000 empregados permitem este tipo de roupas cinco dias por semana de acordo com o grupo Alexandria, instalado no estado de Virgínia.
Mas mudar para o código casual não tem sido fácil para muitas pessoas e as empresas estão aprendendo que elas interpretam as regras de formas muito diferentes.
Foi isso o que aconteceu na Development Counsellors International, uma empresa de marketing cuja matriz fica em Nova York e cujos 25 funcionários vestiram-se casualmente durante todo o ano de 1998. Enquanto a maioria do grupo escolheu as vestimentas apropriadas, alguns foram para o trabalho com roupas de ginástica e sem sutiã.
A companhia tem agora uma lista detalhada com o que os trabalhadores podem ou não usar no trabalho. Camisas com botões e vestidos com sandálias são permitidos, barrigas de fora e roupas de praia não. Aqueles que quebram as regras arriscam-se a cancelar o uso das roupas casuais para toda a companhia.
"Demorou mais tempo para as pessoas compreenderem esta política do que qualquer um poderia imaginar", disse Rob DeRocker, vice-presidente executivo da DCI. "Nós nunca imaginamos que seria tão complicado."
É por isso que muitas companhias estão contratando consultores para desenvolver e reforçar os códigos de vestimenta. Eles promovem seminários sobre a maneira mais apropriada de vestir-se e podem ser diretos quando necessário, como dizer aos empregados que cabelo molhado e saias curtas não são bem vindas.
"Uma empresa me pediu para que eu ajudasse com um pequeno problema. Uma menina estava usando lingerie de couro e por alguma razão todo mundo sabia", porque suas roupas eram muito apertadas e curtas, disse Myra McElhaney, presidente da McElhaney and Associates, empresa sediada em Atlanta.
Em vez de falar individualmente com a garota, McElhaney promoveu um grupo de discussões sobre o que era apropriado no trabalho e assinalou como a forma que uma pessoa se veste tem uma grande influência sobre o julgamento que recebe no local de trabalho.
"Eu disse a eles que eles não queriam ser lembrados por seus ex-colegas por suas roupas íntimas", disse ela.


