Simples coincidência ou atos de provocação. É assim, com dúvida, que os servidores do Senado encaram os fatos inusitados que começaram a ocorrer na Casa desde que o presidente Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) trocou a diretoria da segurança. Agentes e inspetores tiveram, em duas ocasiões, que ficar de prontidão e a reforçar a vigilância no plenário por causa da ameaça de explosão de bombas.
O primeiro alerta anônimo, pelo telefone da Voz do Cidadão, 0800-612211, no início do mês, informava que uma bomba explodiria durante a votação da emenda da reeleição. A outra ameaça ocorreu dia 10, quando o ministro da Fazenda, Pedro Malan, depôs sobre a venda do Bamerindus ao grupo inglês HSBC. Antonio Carlos decidiu manter as sessões. Nenhum fato estranho foi verificado no plenário.
A vigilância também foi reforçada nas galerias, com a distribuição de senhas aos senadores que desejassem convidar alguém para assistir à votação e ao depoimento de Malan. Também são considerados inusitados o simulacro de arrombamento no caixa eletrônico da agência do Banco do Brasil, localizada debaixo do plenário, numa área de difícil acesso. E o ‘‘desaparecimento’’ do estacionamento privativo do Senado, na última terça-feira, do Santana ano 1986, pertecente ao segurança Carlos Eduardo de Oliveira.
Antonio Carlos substituiu há quatro meses o antigo chefe, Francisco Pereira da Silva, o Índio, que já tinha tempo para se aposentar, pelo advogado Clayton Zanlorenci, funcionário da Casa. A maioria dos integrantes da equipe de segurança gostou da troca.
Raras vezes a segurança teve que se deter em ameaças dessa natureza sem que o fato esteja relacionado a um ato popular de grande apelo, como o impeachment do ex-presidente Fernando Collor e durante as reuniões da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou desvios de recursos do Orçamento da União. Índio continua trabalhando na segurança, onde ainda mantém um grupo de agentes fiéis a seu comando. Índio foi procurado para comentar os últimos fatos relacionados à sua área, mas não foi localizado.
Claylton Zanlorenci disse que achou os fatos estranhos, mas que não dispõe de nenhum dado que o induza a pensar que existe a tentativa de boicotar seu trabalho. Ele disse que está tranquilo, confiante nos homens de sua equipe e que não pretende aumentar a dimensão desses fatos. ‘‘Pequenos problemas não irão afugentar ou fazer a equipe desistir de promover um trabalho profissional e técnico’’, garantiu.

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