Roubo foi provável motivo de ataque à segurança presidencial
Cidade do México, 29 (AE-ANSA) - O roubo de malotes com dinheiro para pagar os salários dos membros da segurança presidencial pode ter sido o motivo do ataque que causou a morte de dois militares na capital do México.
Os dois militares do Estado-Maior Presidencial - o grupo de elite encarregado da segurança do presidente da república - morreram neste violento atentado desfechado a 100 metros do Palácio de Los Pinos, sede do governo federal. O carro que eles ocupavam, com quatro pessoas a bordo, foi emboscado por um grupo de homens fortemente armados. Segundo testemunhas mais de 30 tiros foram disparados contra o veículo dos militares.
Um tenente e um sargento morreram na hora do ataque e um terceiro militar ficou ferido. Os motivos do ataque não estavam claros até a noite de hoje, mas a polícia não descarta a hipótese de que o atentado fosse parte de um plano de assalto.
Testemunhas ouvidas por emissoras de tevê do México informaram que os membros do bando que disparou contra os militares fugiram levando uma pasta que estava dentro do veículo atacado. A agência de notícias Notimex, por seu lado, assegurou que os militares estavam carregando o dinheiro destinado a pagar os soldos dos membros da unidade de elite.
Investigadores da polícia e da Procuradoria-Geral de Justiça do Distrito Federal não quiseram confirmar essa versão, mas não a desmentiram.
A hipótese de que o atentado estivesse dirigido ao presidente mexicano, Ernesto Zedillo, foi totalmente descartada pelas autoridades. No momento do ataque, ele estava no Rio de Janeiro, onde participara da Cimeira América Latina, Caribe e União Européia (UE).
Mas a possibilidade de que o ataque aos militares tivesse fundo político ainda seria investigada pelas autoridades. Na véspera, documentos liberados pelo governo mexicano demonstravam a participação de membros do Estado-Maior Presidencial na matança de 32 estudantes (segundo números oficiais) em 1968, no episódio conhecido como Massacre de Tlatelolco. Diplomatas estrangeiros garantem que o número de mortos no massacre ficou perto de 200.
Documentos escritos e assinados pelo general Marcelino García Barragán, então ministro da Defesa, sugerem que os soldados da unidade dispararam contra os estudantes - que protestavam pacificamente contra a realização das Olimpíadas de 1968 na Cidade do México - por ordem direta do presidente da república da época, Gustavo Díaz Ordaz.





