Roubo de veículos cresce 37,55% no Estado de SP
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Renato Lombardi 
São Paulo, 005 (AE) - O roubo de veículos foi o crime que teve o maior crescimento no Estado de São Paulo no ano passado em relação a 97. O índice foi de 37,55%. Em 1998, os ladrões praticaram 189 mil assaltos e 356 mil furtos em todo o Estado. Os crimes ocorreram nas ruas, residências, prédios, estabelecimentos comerciais e bancos.De janeiro a dezembro foram assassinadas 11.861 pessoas. Os ladrões mataram outras 520 durante assaltos em cruzamentos, saída dos bancos, residências, bares, lojas e ruas.
As quadrilhas especializadas em furtos e roubos de veículos e os ladrões de cargas agem em todos os pontos do Estado. Grande parte dos carros segue para os desmanches. Os importados são levados para o Paraguai ou rodam em muitos Estados do País com documentação falsa.
A máfia da carga dificilmente é identificada. No ano passado foram roubados mais de US$ 100 milhões. Na maioria dos roubos os ladrões sequestraram os motoristas e abandonam-nos horas depois, em pontos diferentes da capital ou Grande São Paulo, até o "desaparecimento" da carga. Os ladrões, quando presos, dificilmente denunciam os receptadores que, com facilidade, conseguem pôr todo tipo de mercadoria roubada no comércio.
Carros - Segundo a Secretaria Estadual da Segurança, foram furtados e roubados 176.048 veículos: carros, ônibus, caminhões. O maior número foi de furtos (os veículos foram levados das ruas, garagens, estacionamentos), 102.128. Os assaltos (quando o motorista é retirado do volante) também estão aumentando. passaram de 73.920 carros para 84.927.
No plano de trabalho elaborado pelo secretário da Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi, com seus auxiliares diretos das Polícias Civil e Militar, o item principal é a redução drástica dos chamados crimes contra o patrimônio.
O combate ao crime organizado também será uma das prioridades e Petrelluzzi vai pedir a colaboração da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário. "Para combater este tipo de crime, que não é apenas local, será preciso unir forças com os demais setores", acredita o secretário.
Cobrança - Uma equipe de policiais civis e militares vai mapear os chamados pontos críticos, onde ocorre o maior número de furtos e roubos.Com as informações dos locais onde os ladrões agem todos os dias, as equipes destacadas deverão combater o crime até a diminuição dos índices.
Delegados e oficiais terão a responsabilidade de reunir todas as semanas os policiais encarregados do trabalho nas ruas. Com os números dos registros dos distritos nas mãos, eles vão ouvir as justificativas e cobrar providências se os crimes continuarem.
O secretário informou que quem não estiver trabalhando e reduzindo os índices de criminalidade será trocado e substituído. Dos crimes relacionados pela Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), da Secretaria da Segurança, na comparação feita entre 1997 e 1998, o estupro foi o único que diminuiu no Estado.
Em 1997, a polícia registrou 3.950 casos. No ano passado
3.583. O estupro vem aumentando nas cidades do interior. Em 1998, as delegacias dos municípios do interior registraram 1.593 estupros. Na capital também em 1998 foram 1.051 os casos de violência sexual.
Conjunto - O delegado-geral da Polícia Civil, Marco Antônio Desgualdo, e o comandante da Polícia Militar, coronel Rui César Melo, informaram que o trabalho entre as duas polícias será cada vez mais "estreito". Hoje depois da transmissão do cargo do secretário, os dois falaram das dificuldades que deverão enfrentar, mas fizeram questão de repetir que o objetivo é um só: a queda dos índices de criminalidade.
Desgualdo vai exigir dos departamentos maior empenho no esclarecimento dos crimes e na recuperação dos objetos roubados. Também pretende motivar os policiais.Na PM, o desafio de Melo é pôr o maior número de policiais nas ruas. Ele está montando sua equipe e pretende modificar muitos comandos na capital e no interior. Na Polícia Civil, seis dos atuais diretores deverão ser aproveitados.


