São Paulo, 05 (AE) - Os ladrões roubaram US$ 7,7 milhões em cargas nos dois primeiros meses deste ano em São Paulo, segundo dados do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo (Setcesp). Os gêneros alimentícios foram os mais procurados pelas quadrilhas, seguidos dos cigarros e eletrodomésticos. Em janeiro e fevereiro foram 282 assaltos. O aumento foi de 56,6% em comparação com o mesmo período do ano passado com 180 roubos. Porém, segundo o Setcesp, em relação ao valor roubado, em janeiro e fevereiro do ano passado os assaltantes levaram cargas avaliadas em US$ 18,2 milhões.
O maior prejuízo em valores ficou com o setor de cigarros: US$ 2,3 milhões, este ano. As cargas de eletrodomésticos roubadas valiam US$ 1,3 milhão e os gêneros alimentícios, US$ 1,1 milhão. De acordo com o sindicato, os assaltantes conseguem colocar com facilidade no mercado as mercadorias roubadas e desaparecem com muitos caminhões.
Em 60 dias levaram medicamentos, madeira, móveis, produtos químicos, metalúrgicos, material para construção, têxtil, escolar, de higiene, brinquedos, bicicletas, eletro-eletrônicos, tintas, combustíveis, máquinas industriais, tratores, confecções, plástico, vidros, auto peças, bebidas e calçados. Organizado - O delegado Benedito Costa Pimentel, diretor da Divisão de Investigações Sobre Furtos e Roubos de Veículos e Cargas (Divecar), vem combatendo os ladrões e os receptadores de cargas desde que assumiu há quase dois meses. Para ele, o crime organizado se instalou há anos em São Paulo e as quadrilhas roubam todo o tipo de mercadoria. Uma força-tarefa está sendo preparada pela diretoria do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri).
A coordenação será de Godofredo Pimentel, diretor do Depatri, que pretende ver na cadeia, em pouco tempo, também os receptadores. "Colocando esta gente na prisão teremos uma redução drástica neste tipo de roubo", acredita o delegado.
No mês passado, os policiais da Divecar prenderam 13 ladrões de cargas e apreenderam 11 caminhões roubados, alguns ainda com as cargas. As prisões e apreensões ocorreram nas rodovias Castelo Branco, Anhanguera e marginais próximo da capital. As blitze das últimas semanas têm ocorrido nas rodovias e na capital em conjunto com a Polícia Rodoviária Estadual, fiscais da Secretaria Estadual da Fazenda e peritos do Instituto de Criminalística. Capital - O levantamento do Setcesp indicou que a capital registrou o maior número de assaltos em janeiro e fevereiro: 97, com 34,40% do total. A zona norte ficou em primeiro lugar com 31 roubos, seguida das zona sul, 15, centro, 11, oeste, 10, marginais Tietê, 8, e Pinheiros, 4. Na Grande São Paulo foram 81 os roubos, no Interior, 21, litoral, 4, e rodovias de acesso a capital, 79.
As estradas apontadas pelo sindicato como as mais perigosas de São Paulo são a Anhanguera, Dutra, Castelo Branco, Régis Bittencourt, Bandeirantes, Dom Pedro I e Imigrantes. A quarta-feira é o dia preferido pelos ladrões de cargas. Nos dois meses ocorreram 82 roubos. A quinta-feira vem a seguir com 60 assaltos, a segunda-feira com 47, a sexta-feira, 42, e a terça-feira, 40.
Os ladrões praticaram o maior número de roubos entre as 10 horas e o meio-dia. Nesse período foram registrados 21,28% dos assaltos.

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