Rótulos vão informar sobre gordura trans
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Agência Estado 
São Paulo- Mais um dado estará disponível no rótulo dos alimentos brasileiros a partir de 1º de agosto: quanta gordura trans o produto industrializado carrega. A decisão integra um sistema de vigilância da qualidade dos alimentos que se fortalece no Brasil e em outros países, como Estados Unidos. A gordura trans é seu novo alvo.
As empresas têm até o dia 31 de julho para se adaptar às novas regras. Elas foram escritas com os órgãos de vigilância de saúde dos demais países do Mercosul, para facilitar o trânsito dos produtos.
Em grandes quantidades, a gordura trans, ou ácido graxo transverso, é perigosa para a saúde, como demonstram pesquisas feitas nos últimos cinco anos. Ela aumenta o nível do colesterol ruim e diminui o do colesterol bom, piorando a situação de quem já tem propensão a doenças cardíacas.
Se para a saúde ela é perigosa, para a indústria alimentícia a gordura trans é básica. Ela permite que os alimentos sejam consumidos em temperatura ambiente e conserva o produto por mais tempo, além de deixar tudo mais crocante e apetitoso. Poucas empresas até agora acharam substitutos saudáveis que mantenham o sabor.
A Organização Mundial da Saúde recomenda que a gordura trans não ultrapasse 1% do consumo calórico diário. A nova resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não exige que a tabela nutricional contenha essa informação, nem como comparativo para o consumidor. ''Não podemos recomendar o consumo mínimo de uma coisa ruim, como a gordura trans'', justifica a gerente de produtos especiais da Anvisa, Antonia Maria de Aquino.
As indústrias de alimentos estão correndo para se adaptar às novas regras da Anvisa e mudar suas embalagens. A Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs) analisa 33 cortes de suínos para determinar a quantidade de gordura trans. A entidade já avaliou pernil da Perdigão, Seara, Cotrigo, Cotrel e Aurora. ''Fui para os Estados Unidos no fim do ano passado e os americanos falam sobre gordura trans o tempo inteiro'', diz Pedro de Camargo Neto, presidente da Abipecs.
A gordura trans deve ser a próxima fobia alimentar, acha Neto. Ele comemora os resultados das primeiras análises feitas na carne de porco - ela contém 0% de gordura trans. ''Queremos combater o mito de que carne de porco não é saudável.''
O McDonald's divulgou que suas batatas contêm um terço a mais de gorduras trans do que era conhecido até agora.
A gordura trans é usada principalmente em biscoitos, bolos, pizzas, alimentos fritos, sobremesas geladas, salgadinhos e margarina.


