Recife, 30 (AE) - Para garantir a segurança do tráfego aéreo em caso de eventuais problemas com o bug, na virada do ano, todas as rotas de aviação brasileiras serão alteradas a partir das 20 horas de sexta-feira (31) até o dia 5. Não haverá, neste período, cruzamento de rotas na mesma altitude e os intervalos médios entre as aeronaves que trafegam numa mesma rota e numa mesma altura subirão de 10 minutos para 15 minutos.
A medida é preventiva, visa a evitar a possibilidade de acidentes ou colisões, e faz parte do plano de contingência nacional para os casos de falhas nos serviços de tráfego aéreo, elaborado pela Diretoria de Eletrônica e Proteção ao Vôo, subordinado ao Comando da Aeronáutica. A implementação do plano vai provocar alterações também nos horários de pouso e decolagem das aeronaves, mas a demanda das companhias aéreas será atendida
com a manutenção do fluxo regular dos vôos, de acordo com o tenente coronel aviador Walter Dias, chefe da divisão operacional do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Espaço Aéreo (Cindacta III).
O Cindacta III, no Recife, vai centralizar todas as informações sobre possíveis problemas no sistema de tráfego causados pelo bug. O órgão vai receber informações de oito órgãos de controle regional.
Estas mesmas informações serão repassadas para Lima, no Peru, que gerencia o tráfego aéreo da América Latina e Caribe. Por fim
de Lima, todas as eventuais ocorrências provocadas pelo bug seguirão para Montreal, no Canadá, sede da Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci), que vai estar monitorando o tráfego mundial.
Na eventualidade de haver problemas com o esquema montado em Lima, Recife assume o monitoramento da América Latina e Caribe. O Recife foi escolhido porque possui um equipamento de rádio de alta frequência, mais potente que o resto do País, utilizado no controle de rotas oceânicas, com os vôos vindos da Europa. Trata-se do sistema HF (High Frequency), que funciona sem necessidade de radar e independe de concessionárias ou satélites. Ele será usado em caso de pane total dos sistemas de comunicação. De longo alcance, o HF é antigo, da década de 60, mais lento e mais barulhento que o equipamentoVHF, que é moderno e de melhor qualidade, mas que está conectado a outros sistemas que podem falhar.
O plano custou R$1 milhão e começou a ser elaborado em agosto do ano passado. Quarenta e seis pessoas estarão trabalhando no plano no Cindacta III. A previsão do Cindacta é de 388 vôos comerciais regulares entre as 20 horas desta sexta-feira e 6 horas de sábado em todo o espaço aéreo brasileiro.

mockup