Itanhaém, SP, 02 (AE) - A importância histórica de Itanhaém para a formação do País está sendo resgatada pela comissão municipal encarregada de preparar as comemorações dos 500 anos do Brasil. "É preciso destacar que Itanhaém chegou a ser cabeça de capitania, com domínios de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, até Paranaguá, no Paraná, nos idos de 1654, quando sua donatária era Dona Mariana de Souza Guerra, herdeira direta de Martim Afonso de Souza", explica o prefeito João Carrasco, que pretende recriar a rota do padre José de Anchieta pela região.
A presença de Anchieta, considerado o Apóstolo do Brasil, é observada em vários pontos de Itanhaém, considerada a segunda cidade mais antiga do País, já que foi fundada em 22 de abril de 1532, pela expedição de Martim Afonso, exatamente três meses depois da fundação de São Vicente.
O jesuíta é lembrado com o nome de um bairro, um balneário e uma avenida. Além disso, o prédio da prefeitura também foi batizado com o nome de Palácio Anchieta e na praça central do município, o escultor Luiz Morrone ergueu, em 1945, ergueu um monumento dedicado ao padre.
"Anchieta e o Curumim", peça do escultor Elvio Lemmi, chama a atenção de quem visita a prefeitura, já que a escultura lembra o trabalho de catequese executado pelo padre. Mas não é só isso. O Convento de Nossa Senhora da Conceição, marco da fundação da cidade, guarda registros da passagem de Anchieta por Itanhaém, no ano de 1563, conforme narra o historiador Ruy de Azevedo Marques. Do município, o padre teria seguido para Iperoig, região de Ubatuba, no litoral norte, onde concluiu o armistício com os tamoios. Foi lá que ele escreveu os versos à Virgem nas areias da praia.
Benedito Calixto, que nasceu em Itanhaém, retratou esse momento, em um quadro. A réplica do trabalho encontra-se no convento. É na Igreja de SantAnna que se encontra a Virgem de Anchieta, Imaculada Conceição, uma das mais importantes obras sacras do Brasil. Também no mar a presença de Anchieta é marcante. No costão de Paranambuco, no final da Praia do Sonho, um acidente rochoso foi batizado como "A Cama de Anchieta", local bastante visitado pelos turistas. Na mesma praia também pode ser visto o Púlpito de Anchieta, pequena elevação que serviria para a pregação do padre.
No início do bairro Cibratel, o Pocinho de Anchieta revive a lenda de que era ali que o jesuíta ensinava as artes da pesca aos indígenas. Um fato curioso, muito narrado pelos guias turísticos da região, é de que a estátua erguida no largo da Matriz, mudada de lugar por diversas vezes, teria trazido azar para a cidade.
No último dia 9 de julho, Dia de Anchieta, a prefeitura resolveu acabar com esta polêmica, recolocando a estátua em sua posição original, em frente à igreja, como se o jesuíta estivesse saindo do templo para mais um dia de pregação.

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