O grande vencedor do 52º Festival de Cannes é o filme belga ‘‘Rosetta’’, dos irmãos Luc e Jean-Pierre Dardenne. A decisão do júri foi unânime e o anúncio dos vencedores foi feito ontem à noite no Grand Theatre LumiSre, no Palais des Festivals, durante cerimônia de encerramento comandada pela atriz Kristin Scott-Thomas. O Prêmio Especial do Júri foi para o francês ‘‘L’Humanit钒, de Bruno Dumont. Pedro Almodóvar levou apenas o Prêmio de Melhor Direção por ‘‘Todo para Mi Madre’’. ‘‘L’Humanit钒 levou ainda os prêmios de melhor ator (Emmanuel Schotté) e atriz (Séverine Caneele). Emilie Dequenne, pelo trabalho em ‘‘Rosetta’’, foi também considerada melhor atriz ‘‘ex-aequo’’.
O prêmio de melhor roteiro ficou com Youri Arabov e Marina Koreneva pela produção russo-alem㠑‘Moloch’’. E o veterano português Manoel de Oliveira recebeu das mãos de Geraldine Chaplin o Prêmio do Júri, uma espécie de reconhecimento carinhoso pela interminável longevidade artística do diretor.
À exceção do prêmio destinado a Almodóvar, as demais premiações decepcionaram a maioria dos jornalistas presentes em Cannes. As duas apostas mais bem pagas na bolsa de cotações foram atropeladas por dois autênticos azarões. O belíssimo filme de David Linch, ‘‘The Straight Story’’, não foi sequer cogitado. No quesito interpretação, ator e atriz, a extensão do desastre é tão grande quanto conferir o Grande Prêmio do Júri a ‘‘L’Humanit钒. O ganhador da Palma, o belga ‘‘Rosetta’’, já tinha recebido horas antes uma menção especial do Júri Ecumênico, que conferiu ao espanhol ‘‘Todo Para Mi Madre’’ o prêmio de melhor filme da competição.
Exibido sábado, último dia da competição, ‘‘Rosetta é uma obra que extravaza a cólera e a angústia exasperantes da personagem-título, uma jovem singular que mora num camping com a mãe alcoólatra. Os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne, pouco conhecidos inclusive na Europa, fazem o espectador participar do dia-a-dia atribulado da personagem através de um quase ritualístico trabalho de câmera na mão. Através desse recurso, de uma câmera sempre próxima, é possível compartilhar da luta de alguém que luta com tenacidade, embora desorganizadamente, contra o processo de marginalização imposto de maneira cruel por uma sociedade de abundância.
Num discurso passional e surpreendentemente bem-humorado para a ocasião, Pedro Almodóvar dedicou o prêmio de direção à democracia espanhola e via de consequêencia ao público da Espanha, que sem censura pode ver os filmes dele. E também às atrizes que estão em ‘‘Todo Para Mi Madre’’. Entre equívocos e trapalhadas de alguns apresentadores durante a cerimônia, a atriz francesa Sophie Marceau - a nova Bond-girl de Pierce Brosnan - proporcionou momentos de suspense e perplexidade, somente superados pela decisão do júri. Desarrumada, confusa, desarticulada, over-acting ou quem sabe até overdose mesmo, o fato é que nenhuma palavra do que disse fez sentido até que seu nonsense fosse cassado por David Cronenberg, que se apressou em anunciar o ganhador da Palma.Carlos Eduardo Lourenço Jorge
France PresseUnânimeOs irmãos Luc e Jean Pierre Dardenne, com a atriz Emilie Dequenne ganhadores da Palma de OuroEnviado especial

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