Rosemary é internada em Assunção
Rosemary é internada em Assunção
Comissão de brasileiros negocia transferência para o hospital de londrinense detida por tráfico de drogas
Walter Ogama
De Londrina
ABC ColorNA PENITENCIÁRIAA partir da esquerda, vereador Carlos Kita, diplomata Ronaldo Dunlop, deputado Padre Roque, secretária Dora Barnabé e cônsul Joaquim PalmeiroA londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa no Paraguai há três anos e quatro meses acusada de tráfico internacional de drogas, será removida ainda hoje da Penitenciária Correcional de Mulheres Bom Pastor, em Assunção, onde está detida, para um hospital da Igreja Batista da cidade.
A remoção de Rosemary para o atendimento hospitalar foi negociada ontem à tarde pela Embaixada do Brasil no Paraguai, durante reunião da comitiva de brasileiros que visitou a londrinense na prisão. Dela fazem parte o advogado Carlos Scalassara, do Centro de Direitos Humanos (CDH) em Londrina; o vereador Carlos Kita (PTB), representante da Câmara de Vereadores de Londrina; a secretária Especial da Mulher, Dora Barnabé; o advogado Jorge Custódio Ferreira, irmão de Rosemary; o deputado federal petista Roque Zimmermann (Padre Roque), e o diplomata brasileiro Ronaldo Dunlop, representante do Ministério da Justiça.
A comitiva foi engrossada pelo pastor londrinense atualmente radicado no Paraguai, Lourival Trindade, da Igreja Metodista, que deverá acompanhar Rosemary da penitenciária até o hospital. Trindade representou na ocasião o Conselho de Pastores.
Segundo os advogados Carlos Scalassara e Jorge Custódio Ferreira, Rosemary está debilitada, não se alimenta e tem muita dificuldade para andar. No momento da visita dos brasileiros, a londrinense estava na enfermaria da penitenciária. Os jornalistas que acompanharam a comitiva não puderam entrar na prisão.
Ontem à noite, Scalassara conversou com a reportagem da Folha e confirmou que, segundo informações da Justiça paraguaia, obtidas pelo cônsul brasileiro em Assunção, Joaquim Palmeiro, e pelo embaixador do Brasil no Paraguai, Bernardo Pericás Neto, a sentença condenando ou inocentando a londrinense deverá ser proferida até o final deste mês.
Uma das expectativa é de que Rosemary Garcia, que em maio de 1996 foi presa no aeroporto Silvio Petirossi, em Assunção, com quatro quilos de cocaína presos ao corpo, receba uma condenação mínima. Nesse caso, ela teria pena de cerca de cinco anos e teria já cumprido 3,4 anos.
Arquivo FolhaRosemary Garcia Ferreira: Eu sou a única vítima da trama da máfia internacional de tráfico de cocaína que ainda está viva (em carta enviada em 96)Hoje cedo, a comitiva de brasileiros visita a Justiça paraguaia, onde pretende ter uma reunião com o juiz que responde pelo processo. O principal compromisso dos brasileiros ontem no Paraguai foi com o embaixador brasileiro no país vizinho Bernardo Pericás Neto.
Anteontem, a comitiva brasileira se reuniu com o Comitê de Igrejas Para Ajuda de Emergências (CIPAE) e com o cônsul do Brasil em Assunção. O retorno para o Brasil está previsto para às 16 horas de hoje, após confirmada a internação de Rosemary Garcia no hospital.
O Centro de Direitos Humanos de Londrina deverá convocar uma entrevista coletiva amanhã de manhã, para relatar os resultados da viagem à imprensa londrinense.
Rosemary Garcia Ferreira, segundo a família, foi usada como mula pelo narcotráfico internacional. Ela atendeu a um anúncio de jornal oferecendo emprego de modelo na Europa. Foi entrevistada por um casal de Ponta Porã (MS) e escolhida. Na mesma noite da escolha (segunda-feira, 29 de abril), a londrinense viajou para Ponta Porã, onde teria permanecido até sábado na residência do casal que a entrevistou em Londrina.
No sábado de manhã, foi presa com os quatro quilos da droga. Cerca de três meses depois de detida, Rosemary escreveu uma carta pedindo ajuda das autoridades, da família e dos londrinenses (leia trechos nesta página).





