Rosemary é condenada a 10 anos
Da Redação
A londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa no Paraguai desde maio de 96, foi condenada pela Justiça a dez anos de reclusão e ao pagamento de multa de 100 milhões de guaranis (pelo câmbio oficial, 1 real valia ontem 1.680 guaranis). A sentença foi proferida, na última sexta-feira, pelo juiz criminal de Assunção, Gustavo Ocampos Gonzalez. Ela é acusada de participar de uma quadrilha internacional de tráfico de drogas.
A sentença foi confirmada, no final da tarde de ontem, pelo cônsul brasileiro em Assunção (capital do Paraguai), Joaquim Palmeiro, ao presidente do Centro de Direitos Humanos (CDH) de Londrina, o advogado Carlos Scalassara.
No início da noite, em novo contato com a Folha, o presidente do CDH informou que havia feito contato com o advogado do consulado brasileiro em Assunção, Hugo Marcelo Pérex Ayala, que está defendendo Rosemary Garcia. O advogado não havia lido a sentença, mas confirmou a pena de 10 anos e a multa de 100 milhões de guaranis. Ele tem nove dias para recorrer da sentença junto à Câmara de Apelação e disse ontem que a expectativa era de ter o recurso julgado, no máximo, em 1 ano. O advogado pretende reduzir a pena para 7 anos, o que garantiria à londrinense obter a liberdade condicional, devido ao cumprimento de dois terços da condenação.
Rosemary Ferreira, 31 anos, foi presa em flagrante no aeroporto de Assunção quando tentava embarcar para Madri (capital da Espanha) com quatro quilos de cocaína presos ao corpo com uma fita adesiva sob o vestido. Há três anos e cinco meses ela está detida na Penitenciária Correcional Feminino Bom Pastor, na capital paraguaia.
No mês passado, familiares de Rosemary Garcia denunciaram que ela corria risco de vida, depois de ter sido violentamente espancada duas vezes por funcionários do presídio. Uma comissão de autoridades brasileiras foi ao Paraguai pedir às autoridades melhores condições de saúde e pressa no julgamento da londrinense.
Participaram da comissão o advogado Scalassara, o diplomata Ronaldo Dunliop, o deputado federal Padre Roque (PT-PR), o vereador Carlos Kita (PTB), e a secretária municipal de Mulher, Dora Barnabé. Scalassara explica que os dez anos de prisão impostos pela sentença significa a pena mínima para o crime de tráfico de drogas na legislação paraguaia. Rosemary Garcia, que alega ter sido usada pela quadrilha de traficantes, está sendo defendida pelos advogados do consulado brasileiro no Paraguai.





