Brasília, 17 (AE) - O governo do Maranhão anunciou hoje que em maio nenhum funcionário do Estado receberá salário inferior ao equivalente a US$ 100 (R$ 177,00 hoje). A iniciativa da governadora Roseana Sarney, anunciada durante reunião da Executiva Nacional do PFL em Brasília, foi interpretada como a primeira pressão sobre o Palácio do Planalto para forçar o reajuste do salário mínimo em todo o País. Na terça-feira, o PFL perdeu para o PSDB a condição de maior bancada da Câmara dos Deputados.
Ao tomar posse na presidência do conselho consultivo da Comissão PFL-2000 - criada para cuidar da sucessão municipal nesse ano - Roseana respondeu à manobra tucana que jogou o partido para a terceira colocação em número de deputados. "Perdemos a liderança, mas não perdemos a dignidade", disse. Segundo ela, a partir de agora o PFL terá mais liberdade para defender com veemência algumas causas sociais, como o reajuste do salário mínimo.
O ato político virou uma espécie de lançamento informal da candidatura de Roseana Sarney à Presidência da República. O senador Jorge Bornhausen (SC), reafirmou a decisão do PFL de ter candidatura própria em 2002. O discurso da governadora foi aclamado de pé pelos caciques do partido. "Só sou candidata a governar bem o Maranhão", desconversou Roseana.
Com essa mobilização, o PFL oficializou uma postura de independência em relação ao governo Fernando Henrique Cardoso. "Agora, deixaremos de ser mais reais do que o rei", reforçou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). "A nova ordem do partido é ter um olho no rei e um olho na rua", completou o pefelista, explicitando que o PFL estará mais sintonizado com a opinião popular. "Antes só do que mal acompanhado", disse o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL).
O vice-presidente Marco Maciel também mandou um recado aos tucanos, ao cobrar a reforma política para evitar o troca-troca partidário. Segundo Maciel, se a reforma política não for feita agora a primeira eleição geral do próximo século será disputada sob "regras inadequadas que não garantem a solidez das instituições". Na reunião de hoje, o PFL aprovou uma resolução do partido proibindo a candidatura pelo partido de filiados que estejam respondendo a qualquer tipo de processo na Justiça.
Ao anunciar que adotará um mínimo de US$ 100 no governo estadual, Roseana alfinetou o governo federal, que alega não poder pagar salário nesse valor porque quebraria o Tesouro, Estados e municípios. "Devo lembrar que o Maranhão é um Estado pobre", disse. Quem mais comemorou foi o autor da proposta, deputado Antônio Medeiros (PFL-SP). "Acabou o argumento do governo de que não podia aumentar o mínimo porque quebraria os Estados", disse Medeiros.
A decisão do governo do Maranhão irá atingir 23 mil funcionários que ganham um salário mínimo, de um total de 90 mil servidores do Estado. Isso irá representar um aumento real de R$ 700 mil na folha de pagamento do governo, que é de R$ 60 milhões. O aumento do mínimo será possível porque no Maranhão o comprometimento da receita com a folha é de 58%. Ou seja, abaixo dos 60% estabelecidos pela Lei Camata. A reação dos governadores pefelistas presentes ao evento foi de apoio incondicional à proposta de Roseana.
O governador do Tocantins, Siqueira Campos (PFL), ressaltou que há três anos o menor salário no Estado é de R$ 240. "O mercado para ser forte tem que ter trabalho e consumo", ressaltou. "O PFL tem que adotar essa proposta", reforçou o governador Amazonino Mendes (PFL-MA), que também adota um salário superior a US$ 100. O governador baiano, César Borges (PFL), também fez coro aos seus colegas. "O PFL tem responsabilidade social com o País", disse ele, ao ser questionado se essa proposta não seria uma afronta ao governo.
Nos outros partidos, a decisão de Roseana foi recebida com ressalvas. "É claro que essa proposta constrange e até entristece, o que é pior", disse o governador de Sergipe, Albano Franco (PSDB). Ele disse que teria dificuldade de elevar o mínimo em seu Estado para US$ 100, já que o gasto da receita com a folha é de 64%. "Temos que estudar a sugestão", concordou o governador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
O líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA), foi irônico ao comentar o fato. "No momento em que o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas (PFL), começar a defender o mínimo de US$ 100, o PMDB ficará engajado nessa proposta." No PT, a reação foi crítica. "É uma boa iniciativa; mas o que espanta é ela não ter dado esse aumento antes", disse o líder do partido, deputado Aloizio Mercadante (PT-SP).

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