Brasília, 08 (AE) - O governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), suspendeu hoje as negociações para o pagamento de uma indenização de R$ 13 milhões ao deputado cassado Sérgio Naya, ao senador investigado pela CPI do Judiciário Luiz Estevão (PMDB-DF) e ao deputado federal Paulo Octávio (PFL-DF), que não concluíram a construção de um shopping center no Lago Norte, bairro nobre de Brasília. Os R$ 13 milhões equivalem aos gastos com a construção de um esqueleto de concreto e aos juros sobre o valor do terreno. O valor deveria ser pago em imóveis.
A indenização está sendo discutida na Justiça e, com a suspensão do acordo, não está descartada a possibilidade de o valor aumentar para até R$ 26 milhões, segundo colaboradores do governador.
As negociações para o pagamento dos R$ 13 milhões estavam sendo conduzidas pela Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap). Apesar de afirmar que a empresa tem autonomia, o governador resolveu intervir nas negociações, suspendendo-as hoje. Segundo o secretário de comunicação social do governo, Wellington de Moraes, a medida foi tomada devido às repercussões sobre a notícia das negociações.
Em 1989, o consórcio LPS (nome a partir das iniciais dos empresários) venceu a licitação para adquirir o terreno de 80 mil metros quadrados no qual deveria ser construído o shopping e pagou o equivalente a R$ 95 mil. Com a paralisação das obras, a Terracap ingressou com uma ação na Justiça para recomprar o terreno.
A decisão da Justiça foi a de que, para ter de volta o terreno, a estatal teria de pagar a correção sobre o valor dele, avaliada em R$ 8,5 milhões, e o que foi gasto no esqueleto, R$ 4 5 milhões, segundo um perito judicial. De acordo com a Terracap, foram pagos ao consórcio até agora apenas R$ 95 mil.
Na Justiça, ainda existe um recurso para ser julgado. Segundo colaboradores de Roriz, nesse recurso pode ser discutido o aumento do valor da indenização como querem os empresários.
O presidente da Terracap, Alexandre Gonçalves, afirmou que se fosse feita a negociação e o terreno voltasse para a empresa seria fácil conseguir novos compradores em uma licitação porque o lote está localizado em uma área nobre da cidade. Mas Gonçalves garantiu que a Terracap não vai mais fazer o acordo.

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