José Paulo Lacerda/AE
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
OtimismoGarça voa entre buritis queimados em área que agora está encharcada devido a chuva forte. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a chuva deve durar mais quatro dias e vai ajudar a reduzir o incêndio Depois de mais de seis meses de seca, choveu forte em Roraima ontem, mas até o final da tarde o Exército, que coordena as operações de combate ao fogo, não havia avaliado seu efeito sobre o incêndio, que atinge o Estado há mais de dois meses. As chuvas chegaram no momento em que o fogo se espalhava por outras áreas do Estado. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, a chuva deve durar mais quatro dias e vai ajudar a reduzir o incêndio.
Só não choveu no norte de RR, onde apareceram novos focos de fogo. Em Caracaraí, no sul do Estado, a chuva chegou a inundar as barracas dos bombeiros que apagavam o incêndio. De acordo com o chefe da previsão do tempo do Serviço Nacional de Meteorologia, Francisco de Assis Diniz, choveu 25 milímetros ontem, quase o mesmo volume registrado de setembro de 97 a março deste ano. ‘‘Pelas nossas previsões deve chover entre 10 e 15 milímetros nos próximos quatro dias, diminuindo muito as queimadas’’, afirma Assis. ‘‘Com o enfraquecimento do El Ni¤o há muita umidade no Oceano Atlântico, formando nuvens que estão chegando a Roraima.’
Caracaraí foi a região onde mais choveu ontem e era justamente para onde o incêndio avançava. Os bombeiros, que há dias reclamavam do forte calor, preocupavam-se ontem com as barracas inundadas e os uniformes molhados. Nas localidades do Baixo Mucajai e Anajari, na reserva dos índios ianomami, choveu quase toda a madrugada, assim como em Apiaú e Boa Vista.
Por causa das chuvas, a coordenação de combate ao fogo, instalada na 7ª Brigada de Infantaria de Selva (BIS), não fez, pela manhã, vôos de reconhecimento para verificar os efeitos sobre o fogo. As primeiras imagens do satélite NOAA, fornecidas por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) não mostravam dados precisos.
Coincidentemente, as chuvas chegaram poucas horas depois do ritual dos pajes txucarramae Kukrit e Mantii, à beira do rio Curupira, pedindo ajuda ao deus Kororoti para levar chuva aos roraimenses. Os dois foram trazidos pela Fundação Nacional do Índio (Funai) de Colider, em Mato Grosso. A ‘‘pajelança’’ durou apenas 40 minutos.
O presidente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Eduardo Martins, anunciou que nos próximos 45 dias o Ibama terá um levantamento do que foi queimado em Roraima e uma avaliação do prejuízo ecológico.

mockup