José Paulo Lacerda/France PresseCatastróficoO fogo já atingiu 15% da área de pastagem do Estado, o equivalente a 600 mil hectares, e destruiu plantações nas reservas indígenas ianomami e macuxiCerca de 300 bombeiros de Roraima, Brasília e Rio de Janeiro iniciam hoje o combate ao fogo que atinge a região mais crítica do incêndio no Estado de Roraima, a da Vila Apiaú, a cerca de 120 quilômetros da capital, Boavista. Ontem, o Exército passou a manhã fazendo trilhas na mata para que equipes de bombeiros consigam hoje chegar próximo aos focos de incêndio. O governo de Roraima estima que cerca de 1.000 homens, entre bombeiros e militares, devam participar nos próximos dias da operação de combate ao incêndio no Estado.
O governo de Roraima vai receber ajuda internacional para combater o incêndio no Estado. Segundo a assessoria de imprensa do governo, cem bombeiros argentinos vão integrar o grupo de combate a incêndio. A Venezuela deve enviar reforço e o governador venezuelano Jorge Carabajal, do Estado de Bolivar, que faz fronteira com Roraima, deve ceder um avião. A Argentina já colocou à disposição quatro helicópteros e dois aviões.
Ontem chegaram 88 homens do Corpo de Bombeiros de Brasília. Segundo o governo de Roraima, o fogo já atingiu 15% da área de pastagem do Estado, o equivalente a 600 mil hectares. O Estado deve ter nos próximos dias dados mais precisos sobre a destruição pelo fogo. Estima-se que entre 21 e 25% da área do Estado tenha sido atingida pelo incêndio. Do total destruído, 8% são florestas.
Existem focos em linha reta, que chegam a atingir 20 quilômetros de extensão em reserva ianomami. Segundo o governo, nenhum índio foi atingido pelo fogo.
O secretário Fernando Catão, de Políticas Regionais, esteve em Roraima ontem para verificar os estragos no Estado. Durante um sobrevôo nas áreas de incêndio, Catão considerou a situação ‘‘catastrófica e disse que o presidente Fernando Henrique Cardoso iria editar uma medida provisória para liberar recursos para Roraima.
O Conselho Indígena de Roraima, uma organização não-governamental que auxilia as diversas tribos indígenas no Estado, está conseguindo com ONGs internacionais recursos para a compra de cestas básicas. Elas serão enviadas às duas maiores reservas indígenas de Roraima, a dos ianomamis (noroeste do Estado) e a dos macuxis (sul do Estado, na divisa com a Venezuela). ‘‘As plantações nas reservas foram destruídas. Primeiro pela seca e depois pelo fogo, afirmou Gerônimo Pereira da Silva, 48, coordenador do Conselho Indígena de Roraima.
Segundo ele, novo plantio nas reservas só será possível em abril, quando há previsão de chuva. Até lá, os índios serão mantidos com cestas básicas. ‘‘Devido à repercussão no exterior da seca e dos incêndios, várias organizações nos ofereceram ajuda, disse Silva.

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