São José dos Campos, SP, 10 (AE) - A área de floresta tropical primária queimada no incêndio de Roraima, em 98, tem entre 11,7 a 13,1 mil quilômetros quadrados. Cerca de 35 mil quilômetros quadrados do complexo vegetal do Estado foi atingido pelo fogo. Essas informações serão divulgadas em dois meses, no relatório sobre os estragos causados pelo incêndio, produzido por pesquisadores do Inpe, Inpa e grupo de estudos do Ibama. Estamos tentando chegar a um consenso sobre os números finais, disse o cientista do Inpe, João Roberto dos Santos.
O Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa) fez um detalhado levantamento do volume de biomassa morta pelo fogo em toda cobertura vegetal de Roraíma, formada por floresta, savana, campina e campinarana. Foi destruído de 1,5 a 20 toneladas de biomassa por hectare. As regiões avaliadas têm de 170 a 300 toneladas de biomassa por hectare e o estudo inclui desde a vegetação rasteira até árvores de grande porte.
O pesquisador do Inpa e responsável pelos estudos da emissão de gases, Reinaldo Imbrozio Barbosa, revela que no momento da queimada foram liberados para a atmosfera 3,5 milhões de toneladas de gás carbônico, ficando estocados no solo entre 7 e 10 milhões de toneladas em processo de decomposição. Caso todo esse material fosse injetado na atmosfera no mesmo período, o incêndio de Roraíma corresponderia a 5% do total das emissões de carbono feitas anualmente pelo Brasil. Esses cálculos ainda não estão totalmente fechados, alertou.
O levantamento geral está quase pronto, falta apenas uma adequação dos métodos utilizados nos estudos. O grupo do Ibama, formado por especialistas do Inpa e das universidades federais de Brasília, Lavras (MG) e da estadual Norte Fluminense, avaliaram as condições de cinco áreas críticas afetadas pelo incêndio nas regiões de Apiaú, Caracaraí, Roxinho, Trairão-Maracá e Pacaraima.
Riscos - Eles constataram que na floresta 80% das mudas com até um metro de altura foram destruídas, além da quase totalidade das sementes. A previsão dos técnicos é de uma alteração na dinâmica da floresta. A vegetação nestes pontos ficará mais aberta, ensolarada e com sua biodiversidade reduzida.
Dentro desta tendência haverá um predomínio de palmeiras onde existiam outras espécies de maior valor ambiental. A combinação entre a maior ensolação e esse tipo de árvore tornará a áreas mais propensas aos incêndios. A matéria orgânica depositada no solo será mais seca e a palmeira é vulnerável ao fogo.
O documento apresentará a avaliação dos danos à vegetação, as possíveis causas e observações sobre o modelo econômico empregado na região como um dos fatores de risco no surgimento de outros grandes incêndios. O relatório deixou de abordar os estragos sofridos pela fauna.

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