Boa Vista, 04 (AE) - Um ano depois do maior incêndio florestal do País, e próximo a um longo período de estiagem na região Amazônica, foram criadas, hoje, em Roraima, as primeiras brigadas voluntárias. Elas são formadas por pequenos agricultores que ficarão encarregados de dar os primeiros combates ao fogo na mata. Durante o período de seca, que começa em março e deverá se estender até maio, eles receberão um salário mínimo para estarem sempre de prontidão para qualquer emergência.
Diferente da movimentação de fevereiro a abril do ano passado, quando um grande incêndio atingiu florestas e lavrados de Roraima, a pequena cidade de Mucajaí, a 50 quilômetros de Boa Vista, não deu muita atenção para os 229 integrantes da brigadas, todos recrutados nos 28 projetos de assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), no Estado. A cidade parou somente quando o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, chegou acompanhado do governador Neudo Campos (PPB) e vários políticos regionais.
Eles foram entregar os primeiros certificados de conclusão do curso de bombeiros voluntários, uma idéia surgida depois da atuação do Grupo Bombeiros Voluntários da Argentina, responsáveis em parte, pelo combate ao fogo em Roraima, que destruiu quase 12% do Estado. Como os brasileiros, os argentinos criaram a brigada depois de uma grande tragédia há 10 anos em Bariloche. Sarney Filho anunciou que em toda a Amazônia Legal serão 620 voluntários, um quadro formado por pessoas que normalmente costumavam queimar desordenadamente, como ocorre frequentemente na Amazônia.
"O incêndio do ano passado poderá se repetir", afirmou o ministro, observando que, ao contrário de 1998, o governo estará preparado para enfrentar o fogo. Tanto que instalou uma sala de monitoramento das queimadas em Boa Vista, semelhante à existente na sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. Além disso, o governo está distribuindo cartilhas que orientam como deve ser feita uma queimada. "Desta vez o governo está se antecipando", observou governador Neudo Campos, referindo-se à inércia ocorrida no ano passado, quando a ação só começou quando o fogo já havia tomado conta de parte do Estado.

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