Roque Fernández ameaça renunciar por previdência
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sexta-feira, 09 de julho de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 10 (AE) - Segunda-feira, 18:00: todo o mercado financeiro argentino estará atento à este dia e horário, pois será o "deadline" para que o ministro da Economia do país, Roque Fernández, libere verbas para que o PAMI, o falido sistema previdenciário argentino, possa pagar suas dívidas.
Fernández, que está há três anos no comando do ministério, recusa-se a aceitar este gasto fora do orçamento, e ameaçou renunciar caso as pressões continuem.
A crônica desta renúncia anunciada foi publicada pelos jornais argentinos neste fim de semana, e o rumor foi confirmado ao Estado por uma fonte do ministério da Economia.
Fernández rechaça qualquer aumento do gasto público, já que considera que é alta a incerteza criada pela transição política do fim do governo do presidente Carlos Menem. Segundo os rumores em Buenos Aires, o ministro teria dito que se for tomada a decisão política de elevar o gasto para pagar as dívidas do PAMI
isso terá que ser feito sem ele.
Na Casa Rosada, a sede do governo, os comentários sobre o tema são do mesmo calibre: "se na segunda-feira à tarde não houver dinheiro para a previdência, Fernández está fora".
O presidente Carlos Menem está pressionando Fernández para que se solucione um problema que era crônico na previdência, mas que se agravou nos últimos meses: o PAMI deve US$ 480 milhões. Dessa dívida, o sistema previdenciário deve US$ 220 milhões para os hospitais e clínicas particulares que tem convênios com o Estado. Além disso, o PAMI tem pagamentos pendentes por US$ 670 milhões em bônus desde 1997.
A dívida com o setor privado, que se arrasta há vários meses, fez que os hospitais suspendessem o atendimento aos aposentados, causando o agravamento da saúde de milhares de pessoas. Somente são atendidos emergências. No total, 3,7 milhões de argentinos são atendidos pelo PAMI. Destes, 850 mil estão sem atendimento médico.
O conflito do PAMI está confrontando Fernández com o diretor do sistema previdenciário, Victor Alderete, um dos mais fiéis e próximos colaboradores de Menem. Na segunda-feira ao meio-dia, em uma reunião com os principais banqueiros do país, Fernández tentará conseguir US$ 400 milhões a cinco anos de prazo para o PAMI, dando como hipoteca futuras arrecadações. Se os banqueiros concederem os empréstimo, a crise estará dissipada. Para o caso dos bancos não aceitarem, Menem já ordenou uma alternativa a Fernández: pedir um aumento do déficit ao FMI, algo que o ministro acaba de avisar que não fará. Neste caso, Menem terá que encontrar um substituto para o ministério, a menos de quatro meses das eleições e de cinco para o fim de seu mandato.


