Ronco bem que poderia ser definido como o barulho que incomoda muita gente, principalmente quem dorme ao lado. Mas, se quem ronca quase nunca percebe ou se incomoda, é preciso saber que ele pode ser sinal de algo mais sério - a apnéia do sono, interrupção da respiração por mais de dez segundos várias vezes durante à noite, que pode levar a problemas como cansaço ao acordar, sonolência durante o dia, alterações do humor, cefaléia, redução da concentração e da produtividade no trabalho e até complicações cardíacas.

O ronco, explica o dentista Manoel Zanata Junior, de Londrina, é o som causado pela turbulência do ar que passa por vias aéreas estreitadas. ''É um transtorno mais social do que físico, que pode atrapalhar o casamento e a pessoa que ronca pode ser vítima de chacota'', aponta.


Já a apnéia, além dos problemas já citados, se não for tratada pode levar à redução das células do sangue responsáveis por transportar oxigênio. ''Quando há uma redução de 10% (dessas células) já há microlesões celulares e aumento do esforço do músculo cardíaco. Se chega a 40%, há mais risco de arritmias e doenças cardíacas, hipertensão e envelhecimento precoce'', alerta. O que é preciso é investigar, até porque quem ronca nem sempre tem apnéia, mas quem tem apnéia ronca.

Mas, por que uns roncam e outros não? O dentista explica que são várias as causas de estreitamento na região da garganta. Entre eles estão o excesso de tecido mole na área, língua muito grande, amídalas ou adenóides atrofiados, pescoço mais curto e grosso, desvio de septo, existência de pólipos nasais, e uso de álcool e drogas que interferem na dilatação da musculatura na região. Mas uma das causas mais comuns é a obesidade, que leva a uma alteração da anatomia das vias aéreas, pelo excesso de tecido adiposo.

O diagnóstico normalmente é feito através de exame clínico e de um exame chamado polissonografia, que monitora a pessoa durante o sono e mede a quantidade de paradas respiratórias por hora. É esse exame também que vai determinar a gravidade e o tipo de apnéia - se é central, que tem origem neurológica, se é obstrutiva, quando há barreira física, ou se é mista, que quando há os dois tipos de forma alternada.

O tratamento, explica o dentista, ''normalmente é multidisciplinar'', feito de acordo com as causas, seja cirurgia para corrigir desvio de septo, mudanças de hábitos que incluem perda de peso, diminuição de fumo e álcool, ou uso de aparelhos. Entre esses equipamentos está um que injeta ar por pressão através de uma máscara enquanto a pessoa dorme. E há ainda os aparelhos orais, de acrílico, feitos por dentistas, que proporcionam avanço da mandíbula e consequentemente mais espaço para a passagem do ar. Outra maneira de melhorar o problema é com exercícios fonoaudiólogicos (veja quadro) para fortalecer a musculatura.

Assim, dormir bem, sem riscos e barulho é possível, e também uma questão de segurança: ''Há estudos que mostram que o risco de acidentes automobilísticos e de trabalho é sete vezes maior naqueles que não tem um sono reparador em relação aqueles que tem''.

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